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    O Livreiro de Cabul -

    Åsne Seierstad

    Record
    2006
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788577991082
    Português Brasileiro
    3.9
    6871 avaliações
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    Por ter vivido três meses com uma família afegã, na primavera de 2002, logo após a queda do regime talibã, a jornalista norueguesa Asne Seierstad pôde produzir esta narrativa ímpar que mostra aspectos do país que poucos estrangeiros testemunhariam. Como ocidental, mulher e hóspede de Sultan Khan, um livreiro de Cabul, obteve o privilégio de transitar entre o universo feminino e masculino de uma sociedade islâmica fundamentalista. Preso e torturado durante o regime comunista, Sultan Khan teve sua livraria invadida e parte dos livros queimados, mas alimentava o sonho de ver seu acervo de 10 mil volumes sobre história e literatura afegã transformar-se no núcleo de uma nova Biblioteca Nacional. Apesar da situação estável, a família do livreiro, dividia uma casa de quatro cômodos em uma cidade que se recuperava da guerra e de trágicos reflexos políticos. Os integrantes da família acostumaram-se à presença da autora sob uma burca. Assim, ela pôde observar relatos das rixas do clã; da exploração sexual das jovens viúvas que esperavam doações de alimentos das organizações de ajuda internacional; da adúltera sufocada com um travesseiro pelos três irmãos sob as ordens da mãe; do exílio no Paquistão da primeira esposa de Sultan Khan, após um segundo casamento com uma moça de 16 anos, do filho adolescente do livreiro obrigado a trabalhar 12 horas por dia sem chance de estudar. A autora apresenta uma coleção de personagens comoventes que reflete as contradições do Afeganistão, e nos emociona sobretudo ao apresentar a rotina, a pobreza e as limitações impostas às mulheres e aos jovens do país. O protagonista, mesmo sendo um homem de letras, é um tirano na orientação familiar, nos negócios, e pautado pelo radicalismo. Prova disso é que, indignado com o trabalho da autora, o livreiro de Cabul que inspirou o personagem Sultan Khan foi à Noruega com o propósito de pedir reparação judicial.

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    Daniel Moraes picture
    Daniel Moraes11/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O livreiro de Cabul, de Åsne Seierstad

    “O livreiro de Cabul”, escrito pela jornalista norueguesa Åsne Seierstad, publicado pela Editora Record, é um livro intenso, doloroso, indigesto, porém, necessário para nossa cultura contemporânea, principalmente após o retorno do Talibã ao poder. Åsne Seierstad foi enviada para Cabul na primavera de 2002, para cobrir a guerra dos soldados ocidentais contra o regime do Talibã. Lá ela conheceu o afegão Sultan Khan um livreiro que provocou boas impressões na jornalista, por conta de sua postura culta e de pensamento liberal, algo raro no Afeganistão. Sua paixão pelos livros, onde os vende e mantém seu sustento, levou Sultan Khan a ser preso e torturado pelos talibãs e seus livros foram queimados, por conter informação que não condiz com a tradição afegã. Todavia, Sultan espera poder montar um belo acervo sobre a história do Afeganistão e a partir de seus volumes, transformar-se em uma Biblioteca Nacional. Esse é seu sonho. Essa é sua luta. Através dos relatos impressionantes da jornalista que viveu por três meses coletando informações da cultura afegã, o livro surpreende pelo realismo que a obra apresenta: a riqueza de informações é abundante. Desde a beleza do casamento afegão à extrema pobreza da população e toda sua cultura conservadora é retratada com maestria no livro. “No Afeganistão, mulher apaixonada é tabu. É proibido pelos conceitos de honra rigorosos do clã e pelos mulãs. Mulheres jovens são, antes de mais nada, um objeto de troca e venda.“ A cultura e a sociedade afegã, impacta quem não conhece de fato o que passa na sociedade opressora e recém-saída do Talibã, quando a jornalista vivenciou os temores da população, que na obra, escrita em 2002, era supervisionada pelos Estados Unidos. Quando o Talibã assumiu o poder em Cabul, em setembro de 1996, dezesseis decretos transmitidos pela Rádio Sharia. Uma nova era estava começando: 1) É proibido às mulheres andar descobertas; 2) Proibição contra a música; 3) É proibido barbear-se; 4) Oração obrigatória; 5) É proibido criar pombos e promover rinhas de aves; 6) Erradicação das drogas e de seus usuários; 7) É proibido soltar pipas; 8) É proibido reproduzir imagens; 9) Estão rigorosamente proibidos jogos de azar; 10) É proibido usar corte de cabelo no estilo americano ou inglês; 11) São proibidos empréstimos a juros, taxas de câmbio e de transações; 12) É proibido lavar roupa à margem dos rios; 13) Música e dança são proibidas em festa de casamento; 14) É proibido tocar tambor; 15) É proibido a alfaiates costurar roupas femininas ou tirar medidas das mulheres; 16) É proibida a prática de bruxaria. Com intuito de ressaltar a data, o Talibã retornou ao poder em 2021, após o presidente americano John Biden autorizar a retirada dos soldados estado-unidenses, por se tratar que o Afeganistão estava em condições de ser guiado pelos líderes afegãos. Mas não foi isso que ocorreu. O Talibã tomou a capital do Afeganistão e todas as conquistas que a população conquistou, principalmente as mulheres, tais como o direito ao voto, frequentar escolas, comercializar produtos importados, foi barrado. O que o mundo assistiu através do jornalismo, foi um retrocesso sem precedentes que mudaria a história do Afeganistão para sempre. Allahu akbar – Deus é grande. “O livreiro de Cabul” é um livro que incomoda por sua realidade nos fatos apresentados, porém, preciso ao apresentar a cultura de uma sociedade opressora recém-saída do regime Talibã. Livro altamente recomendado! Confira a resenha completo no blog Irmãos Livreiros:

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    Åsne Seierstad profile picture

    Åsne Seierstad

    Åsne Seierstad é uma jornalista norueguesa. Seierstad é licenciada em filologia russa e espanhola e em história da filosofia pela Universidade de Oslo. Atua como correspondente de guerra desde 1994 , cobriu diversos confrontos internacionais para meios de comunicações escandinavos, holandeses e alemães, o que lhe rendeu prestigiosos prêmios, entre os quais o Free Speech Award,em 2002, e o Grande Prêmio Norueguês de Jornalismo, em 2003. Cobriu a invasão do Afeganistão e a Guerra do Iraque em 2003.

    7 Livros
    104 Seguidores

    Åsne Seierstad