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    Lotaria Solar - Série Antecipação nº21

    Philip K. Dick

    [Alfragide] Galeria Panorama
    1967
    159 páginas
    5h 18m
    ISBN-1: 0
    Português
    3.4
    31 avaliações
    Leram45Lendo3Querem49Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos1Desejados49Avaliaram31

    "Solar Lottery" (1956). À medida que a confiança na estabilidade econômica e na velha ordem social se desmoronava, uma nova base para a sociedade tinha de ser descoberta pelos Governos. O Minimax preencheu essa necessidade, uma espécie de elaborada loteria solar, baseada em jogos de azar, que abrangia o sistema de nove planetas. Uma loteria que oferecia, como prêmio, poder e posição social, em vez de bens de consumo, sendo o prêmio máximo o próprioo posto de interrogador-chefe. E, contudo, mesmo o interrogador-chefe tinha de lutar constantemente contra desafiadores e assassinos públicos. A única segurança real consistia no lendário décimo planeta do sistema solar, um fabuloso mundo para lém do universo conhecido.

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    Davenir Viganon picture
    Davenir Viganon01/05/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O primeiro romance de Philip K. Dick

    A obra desta semana é Lotaria Solar (Solar Lottery) de 1956. Esta obra se encontra em português apenas na sua forma lusitana editada pela Europa-América na coleção FC, que junto com a clássica Argonauta traduziram e publicaram centenas de livros de Ficção Científica. Muitas destas obras, assim como "Lotaria Solar", ainda são as únicas forma de encontrar livros em português. Homenagem e reconhecimento feitos, vamos a nossa resenha. Passado séculos no futuro, por volta de 2203, apesar de termos sido capazes de colonizar os nove planetas, a humanidade desmoronada socialmente pela queda dos governos, busca reerguer-se sob a base do Minimax, uma máquina que calcula aleatoriamente, sorteia e nomeia o cargo mais alto da administração humana, o cargo de Interrogador-chefe. Este cargo, contudo, não dava grande conforto pois segundo a lei, pretendentes ao cargo poderiam propor desafios de morte, enviando assassinos públicos e desafiadores ricos para eliminar o Interrogador-chefe. Nesse mundo acompanhamos Ted Benteley, um operador juramentado e, até então, crente no sistema de juramentos (algo como suserania e vassalagem medieval) que busca um novo senhor para servir e o encontra no atual Interrogador-chefe, o rico e poderoso Reese Verrick. Então, o Minimax resolve sortear novamente o prêmio máximo dando o cargo para Leon Cartwright, um servidor simples, de baixa classe e meia idade, e adepto do culto a Preston, um profeta que dizem habitar um décimo planeta, um local não abrangido pelo Minimax. A partir daí dá-se uma caçada pública ao novo Interrogador-chefe, onde Reese Verrick desafiará com um assassino público e um plano ousado. O autor cria um mundo socialmente absurdo e conduzido por uma máquina elaborada em determinar o aleatório, que gera uma mania generalizada por amuletos animistas. Uma possível alegoria para o racional sendo usado para irracionalidades. Algo como o avanço tecnológico de metralhadora bem sucedida em causar mortes durante a 1GM. Além do sistema de suserania e vassalagem que regem as relações entre as classes nesse mundo. Apesar dos cálculos avançados de reorganização social, a ideia do prêmio acaba acirrando as desigualdades, gerando a maior discrepância que é a figura de Verrick, um homem muito poderoso e ambicioso que não mede recursos para voltar a ser Interrogador-chefe. Cargo que praticamente não é explicado, sequer exemplificado, pois seus ocupantes são descritos apenas como seres que tentam se defender dos assassinos públicos, defendidos pelo Corpo, um grupo de telepatas que agem como segurança pessoal do Interrogador-chefe. Esse absurdo social, as mostras de pseudoentidades, o uso irracional da racionalidade são elementos incipientes nessa obra e, sinceramente, que bom que é assim pois PKD tem uma evolução nos temas e dá mais profundidade as suas histórias que são muito melhores, apesar desta ter me agradado bastante pelas intrigas e ação. Recomendado.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 31
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas52%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas3%
    Philip Kindred Dick profile picture

    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick