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    Pedro Pedreiro (Coleção Jovens do Mundo Todo) -

    Odette de Barros Mott

    Brasiliense
    1990
    92 páginas
    3h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.7
    12 avaliações
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    Favoritos3Desejados1Avaliaram12

    Inspirada na canção de Chico Buarque, Odette nos conta a história de Pedro e sua luta pela sobrevivência em uma grande metrópole. ==== https://listasdelivros.blogspot.com/2021/08/odette-de-barros-mott-escritora-brasileira.html?m=1

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    Marcel Trocado20/07/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Podre Pedro Pedreiro

    Pedro Pedreiro é uma canção do músico brasileiro Chico Buarque lançado em 1965 em seu primeiro compacto. Foi uma das primeiras músicas compostas pelo cantor e veio a público com a ajuda de sua irmã Miúcha. A música fala de um operário que espera o transporte público para chegar ao trabalho, a sua vida é descrita utilizando diversas vezes a palavra "esperando", no total, repetida 36 vezes. Em 1979, pela editora Brasiliense, inspirada na canção de Chico Buarque, Odette nos conta a história do Baiano Pedro e sua luta pela sobrevivência na cidade de São Paulo. Boa parte do livro focaliza o trabalho duro dos pedreiros e serventes de obra: a falta de segurança que culmina em acidentes recorrentes na construção civil, a exploração dos nordestinos sem recursos que vão para a cidade grande a procura de melhor qualidade de vida e a falta de seguridade social digna aos trabalhadores acidentados do setor de construção. Pedro que se acidenta gravemente aos 45 anos, mesmo se recuperando parcialmente, as sequelas do acidente irão mudar seu destino como profissional experiente e melhor remunerado, pois passará a receber menos por não ter a saúde de antes e, devido ao esforço que não deveria fazer, terá a vida abreviada em poucos meses depois de receber alta do hospital. Pedro é marido da dona Zezé, uma senhora de 40 anos da "cor mais bonita que a de Pedro" (p. 14), ela cuida da casa e dos quatro filhos. Seus filhos são Marcelo, o mais velho; Tami, "nunca vi croula mais linda do que ela" (p. 15); Lúcia, de 12 anos e Renato, o caçula. Outros personagens em volta da família são: Gabriel, futuro noivo de Tami; dona Janda, mãe de Gabriel; Maricota, a comadre de Zezé; Leone, respeitado pastor do bairro, além de importante figura de liderança e apaziguador dos problemas da comunidade. Disposto a receber muito menos, pois as despesas da família não esperam, Pedro aceita ser servente de obra. Ao mesmo tempo, Pedro e os demais moradores do bairro de Vila Nova irão receber uma notícia terrível, os terrenos dos quais todos construíram suas casas, durante dezenas de anos, deverão ser desapropriados devido a ação inescrupulosa de uma imobiliária que vendeu os terrenos do bairro sem ser a real dona dos lotes. Essa fato cairá pesadamente entre todos, principalmente para Pedro que é considerando o morador mais antigo do lugar. Assim, diante dos terríveis acontecimentos, o real proprietário dos terrenos logo é revelado, o português Carlos Macedo. Para além da desonestidade da imobiliária, é descrito no capítulo XII que o real proprietário sabia dos loteamentos ilegais, aproveitou-se da situação para no momento da sua pose vender os lotes com as casas, aproveitando-se da valorização dos terrenos com as habitações. As preocupações com o futuro incerto, além da desilusão de perceber que sua casa não é mais sua e de sua família, faz com que Pedro, aos poucos, intensifique seu trabalho, o que dessa forma irá vitimá-lo definitivamente. A partir da fatalidade de Pedro, Zezé será o foco das decisões da família. Os meses seguintes serão tão duros para a matriarca que a autora a descreve na página 68: "emagrecia adquirindo um tom acinzentado na pele, perdera o brilho do rosto que tanto agradava ao marido". Para melhorar sua realidade, poucas esperanças surgem à Zezé a partir de então, até o final da história, que culmina com o paradoxo da família alugar a própria casa, que irremediavelmente passa a pertencer ao português Carlos Macedo, Zezé define que, para manter os laços familiares e afetivos com o local exigirá dela esse sacrifício. Dessa forma a conclusão impacta tanto quanto a canção de Chico Buarque: esperando, esperando, esperando, "da esperança aflita, bendita, infinita, do apito de um trem".

    1 curtida

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    3.7 / 12
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    • 1 estrelas0%
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    Odette Castilho de Barros

    Odette de Barros Mott (Igarapava, 24 de maio de 1913 - São Paulo, 23 de maio de 1998) foi uma proeminente escritora brasileira de ficção juvenil e infantojuvenil. Com mais de um milhão de exemplares vendidos e mais de sessenta títulos publicados, Odette foi uma das precursoras da literatura infantojuvenil no Brasil. Nascida em Igarapava, no interior de São Paulo, em 1913, mudou-se para a capital paulista ainda pequena. Tornou-se professora pelo Instituto de Educação Caetano de Campos e começou a lecionar no Colégio de Santana. Casou-se logo em seguida, aos vinte e quatro anos, com o antropólogo Leo Mott, tendo oito filhos, entre eles a historiadora e feminista Maria Lucia de Barros Mott. Desde muito cedo habituou os filhos com o gosto pela leitura e quando eles ainda eram pequenos começou a publicar histórias infantis pela Editora do Brasil, Vozes, Melhoramentos e Paulinas. O primeiro foi publicado em 1949, um livro infantil. Quando os filhos cresceram, sua escrita se adaptou para dialogar com o público que começava a entrar na adolescência. Os primeiros foram Aventura do Escoteiro Bila e A Montanha Partida, que primeiro foram lidos por seus filhos e depois pelos amigos. Quando foram finalmente publicados, eles agradaram a crítica e ao público. Em 1969, Odette publicou O Mistério do Escudo de Ouro e visitou colégios para conversar com alunos e professores em eventos literários, que começaram a perguntar o que ela achava sobre diversos temas como drogas, sexo e relacionamentos. Odette começou a ponderar sobre tais temas e se propôs a criar obras que dessem margem as essas discussões, que provocassem diálogo e abrissem novos horizontes. “ O homem de amanhã não deve ser apenas mais um número na massa, pois da sua metamorfose individual vai depender, em grande parte, a nova face deste planeta.” Odette chegou ao marco de um milhão de exemplares publicados apenas pela pela editora Brasiliense em 1981. Odette se correspondia frequentemente com alunos e leitores, que mandavam as mais variadas perguntas para a autora, a quem viam como confidente, professora e, até mesmo, como uma segunda mãe. Vários de seus livros foram traduzidos no exterior, para o espanhol, um deles para o alemão e um para o francês. Odette produziu por muitos anos, até bem perto de sua morte, na madrugada de 23 de maio de 1998, no Hospital São Camilo, na capital paulista. Seu corpo foi cremado no Crematório da Vila Alpina.

    53 Livros
    23 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Odette Castilho de Barros