O utilitarismo de Jeremy Bentham, uma versão do pensamento consequencialista que define a moralidade pela consequencia de um ato, propõe que o comportamento moralmente correto é aquele que maximiza o prazer e alegria e minimiza a dor e o sofrimento de um inivíduo, um grupo de pessoas ou de uma comunidade. O máximo de bem para o máximo de pessoas.
Dilemas como aqueles em que um indivíduo deve escolher entre permitir a morte de 1 pessoa para evitar a morte de outras cinco (desviar ou não um trem), ou ainda mais dramático, provocar a morte de 1 pessoa para salvar outras 5 (médico tiraria cinco órgãos de uma pessoa saudável para transpantá-los em 5 pacientes, salvando suas vidas), fazem emergir um certo desconforto com o utilitarismo, criando um sentimento de que há certos comportamentos que são intrinsicamente errados, mesmo que suas consequências favoreçam um número maior de pessoas (moral categórica).
O principio que o levou Bentham a propor o utilitarismo é que o ser humano é movido unicamente pelo prazer e dor.
Certamente o ser humano é movido pela dor e prazer, mas não só. De fato herdamos da natureza estes mecanismos biológicos. Mas há muito tempo, a vida em sociedade exigiu de nós que transcedessemos a estes mecanismos e desenvolvessemos a capacidade de cooperação em larga escala, aumentando o grau de confiança entre indivíduos, reprimindo o prazer imediato e aceitando a dor. A cooperação entre indivíduos é a base da civilização humana.
Um utilitarismo baseado no principio de que o comportamento moralmente correto é aquele que tende a maximizar a cooperação entre as pessoas, através do aumento da confiança entre indivíduos, criando um ambiente mais seguro e favorável à expansão da criatividade humana, gerando mais riqueza e bem estar para a sociedade a longo prazo, ao invés de maximizar o prazer, me parece mais realista e adequado.
Neste contexto, o dilema do transplante multiplo por exemplo, de fato deixaria existir. Não haveria qualquer dúvida que, se os médicos optassem por matar uma pessoa saudável para salvar 5 doentes, em pouco tempo ninguém confiaria neles ou nos hospitais para qualquer tipo de cuidado.