18 de Escorpião é dividido em três partes.
A primeira (Eleitos) fala da descoberta de uma estrela gêmea do Sol da Terra e descreve a vida sofrida de paranormais confundidos com doentes mentais. Uma dupla formada por um homem e uma mulher entram em contato com estes ditos doentes, os convidando para participar de um experimento social numa comunidade alternativa no meio de uma floresta. A primeira parte é muito interessante, apresenta alguns fatos científicos curiosos e expõe algumas críticas sociais, como o racismo presente na sociedade, a violência sexual praticada dentro da própria família e o preconceito contra pessoas com distúrbios psiquiátricos.
A segunda parte (Terra prometida, noite proibida) conta a estória destes paranormais já inseridos na comunidade alternativa, e apresenta um mistério que a maior parte das pessoas parece não ligar, mas que torna a comunidade no mínimo esquisita. O leitor é apresentado a algumas pistas, e admito que a verdade passou pela minha cabeça, mas fiquei suspeitando de outras coisas até chegar à descoberta chocante. Não consegui parar de ler, me prendeu demais. A participação de personagens indígenas é excelente, nunca tinha visto isso num livro de ficção científica, pelo menos não de uma forma que eu gostasse. O personagem Acauã, o xamã, é excelente e um ótimo contraste para o manipulador Ravi Chandrasekar.
A terceira parte (Limite de Chandrasekar) é FANTÁSTICA. É quando a ação toma forma, e conhecemos o vilão da história, mas nem sei dizer se ele é mesmo um vilão ou se é mais alguém digno de pena. O autor, de quebra, apresenta um problema filosófico com seu vilão. O mal existe, ou resulta das circunstâncias? O vilão merece ódio ou é digno de pena? Há também outros questionamentos interessantes: somos capazes de controlar tudo? A inteligência, mesmo a avançada, nos torna realmente poderosos? Mas o que mais gostei foi a ampliação do conceito de vida, e a onde tudo isso nos leva, a uma visão panteísta do Universo, o conceito de um UNIVERSO VIVO.
O fim dá a entender que o autor tem mais coisa a oferecer no futuro. Me deu a impressão de que vem mais por aí, em torno dos mesmos personagens.
Livro excepcional, muito bem escrito, grande domínio da língua portuguesa. Me lembrou Clarke em sua melhor forma.