Dezoito de Escorpião -

    Alexey Dodsworth

    Draco
    2016
    324 páginas
    10h 48m
    ISBN-13: 9788582431702
    Português Brasileiro

    Fim do século XX. Um astrofísico brasileiro descobre que uma pálida estrela da Constelação do Escorpião é uma gêmea perfeita de nosso Sol. Segunda década do século XXI. Vários adolescentes brasileiros entram em surto psicótico ao mesmo tempo, durante uma explosão solar. Como podem eventos tão distintos ameaçar um mesmo segredo? De que forma esses fatos podem afetar uma vila no coração da selva? A Vila Muhipu, resguardada por índios da etnia Tukano, é um paraíso onde o sofrimento não passa de lembrança. Uma utopia que deve ser mantida escondida a todo custo, e o doutor Ravi Chandrasekhar não poupará esforços nesse sentido. Em "Dezoito de Escorpião", vencedor do Prêmio Argos 2015 na categoria "melhor romance brasileiro de fantasia", Alexey Dodsworth se apropria de fatos científicos reais e os recria ficcionalmente, compondo uma trama que se debruça sobre a mais intrigante questão: estamos sós no Universo? Seria melhor se estivéssemos.

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    Daniel Fioravante12/04/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Inteligência artificial, mutantes, nanotecnologia e xamanismo

    18 de Escorpião é dividido em três partes. A primeira (Eleitos) fala da descoberta de uma estrela gêmea do Sol da Terra e descreve a vida sofrida de paranormais confundidos com doentes mentais. Uma dupla formada por um homem e uma mulher entram em contato com estes ditos doentes, os convidando para participar de um experimento social numa comunidade alternativa no meio de uma floresta. A primeira parte é muito interessante, apresenta alguns fatos científicos curiosos e expõe algumas críticas sociais, como o racismo presente na sociedade, a violência sexual praticada dentro da própria família e o preconceito contra pessoas com distúrbios psiquiátricos. A segunda parte (Terra prometida, noite proibida) conta a estória destes paranormais já inseridos na comunidade alternativa, e apresenta um mistério que a maior parte das pessoas parece não ligar, mas que torna a comunidade no mínimo esquisita. O leitor é apresentado a algumas pistas, e admito que a verdade passou pela minha cabeça, mas fiquei suspeitando de outras coisas até chegar à descoberta chocante. Não consegui parar de ler, me prendeu demais. A participação de personagens indígenas é excelente, nunca tinha visto isso num livro de ficção científica, pelo menos não de uma forma que eu gostasse. O personagem Acauã, o xamã, é excelente e um ótimo contraste para o manipulador Ravi Chandrasekar. A terceira parte (Limite de Chandrasekar) é FANTÁSTICA. É quando a ação toma forma, e conhecemos o vilão da história, mas nem sei dizer se ele é mesmo um vilão ou se é mais alguém digno de pena. O autor, de quebra, apresenta um problema filosófico com seu vilão. O mal existe, ou resulta das circunstâncias? O vilão merece ódio ou é digno de pena? Há também outros questionamentos interessantes: somos capazes de controlar tudo? A inteligência, mesmo a avançada, nos torna realmente poderosos? Mas o que mais gostei foi a ampliação do conceito de vida, e a onde tudo isso nos leva, a uma visão panteísta do Universo, o conceito de um UNIVERSO VIVO. O fim dá a entender que o autor tem mais coisa a oferecer no futuro. Me deu a impressão de que vem mais por aí, em torno dos mesmos personagens. Livro excepcional, muito bem escrito, grande domínio da língua portuguesa. Me lembrou Clarke em sua melhor forma.

    5 curtidas

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