Taipi - Paraíso de Canibais

    Herman Melville

    L&PM
    1984
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A consagração que o século XX concedeu a Moby Dick de certa forma obscureceu as obras pelas quais Herman Melville (1819-1891) tornou-se conhecido e aclamado durante sua própria vida: os fascinantes relatos de viagem pelos mares límpidos e ilhas deslumbrantes da Polinésia, dos quais Taipi é o primeiro e melhor exemplo. Fruto de uma viagem iniciada em New Bedford, USA, em 1839, numa baleeira chamada Acushenet, e encerrada em 1842, quando o jovem Melville abandonou o navio em Nucueva, uma das ilhas Marquesas, para conviver quase dois meses com os nativos canibais, Taipi tem o mérito de ser a primeira novela a descrever as paisagens e a vida nas ilhas dos Mares do Sul - cenário paradisíaco que, a partir de então, se tornaria um tema literário consagrado por grandes escritores, como Conrad, Stevenson e London.

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    Pedro LDC Viegas05/08/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Melhor que Moby Dick

    Em Taipi, seu primeiro livro, Herman Melville mostra talento como escritor naturalista e humanista que, mesmo sem entrar em detalhes científicos, consegue passar muito bem ao leitor a impressão do que viu. Além de narrar sua aventura na ilha de Nucueva ou Nuku Hiva, uma das ilhas Marquesas, na Polinésia, nos traz uma série de informações sobre a vida dos indígenas com o qual conviveu por mais de três meses. Nesse agradável livro, acompanhamos os índios preparando diversas comidas, conhecemos frutas da ilha, técnicas de assar porco, tecer, fazer óleo de coco perfumado para mulheres etc. Procura-se mostrar como é a religião desse povo, como é a rotina diária deles, procura-se identificar um sistema de leis mas encontra-se apenas tabus, que parecem servir aos propósitos desse povo. Muito importante no livro é o paralelo que o autor traça entre a vida desses índios e a vida que ele observava na "civilização" da época. Afinal, quem são os selvagens? Herman Melville faz grandes críticas à imposição da "salvação" missionária, que somente teria trazido aos povos indígenas, junto com a nova religião, os vícios do homem europeu e suas doenças. Se o autor pudesse ter escrito durante sua estadia na ilha, talvez o livro, isto é, as descrições saíssem mais coloridas. Taipi é um livro escrito em compromisso com a verdade e que, embora eclipsado por Moby Dick, saiu bem melhor, ao menos para o gosto deste leitor. Bem... consultando informações na web, constatei que o livro contém elementos de uma experiência que o autor teve entre esses nativos, mas o relato não é totalmente fiel, pois o autor de fato 'enriqueceu' a história para torná-la mais interessante. Pois quatro meses de maciota numa ilha do pacífico em meio a indígenas pacíficos não deve ser bem uma aventura dramática.

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