Em Taipi, seu primeiro livro, Herman Melville mostra talento como escritor naturalista e humanista que, mesmo sem entrar em detalhes científicos, consegue passar muito bem ao leitor a impressão do que viu.
Além de narrar sua aventura na ilha de Nucueva ou Nuku Hiva, uma das ilhas Marquesas, na Polinésia, nos traz uma série de informações sobre a vida dos indígenas com o qual conviveu por mais de três meses.
Nesse agradável livro, acompanhamos os índios preparando diversas comidas, conhecemos frutas da ilha, técnicas de assar porco, tecer, fazer óleo de coco perfumado para mulheres etc. Procura-se mostrar como é a religião desse povo, como é a rotina diária deles, procura-se identificar um sistema de leis mas encontra-se apenas tabus, que parecem servir aos propósitos desse povo.
Muito importante no livro é o paralelo que o autor traça entre a vida desses índios e a vida que ele observava na "civilização" da época. Afinal, quem são os selvagens?
Herman Melville faz grandes críticas à imposição da "salvação" missionária, que somente teria trazido aos povos indígenas, junto com a nova religião, os vícios do homem europeu e suas doenças.
Se o autor pudesse ter escrito durante sua estadia na ilha, talvez o livro, isto é, as descrições saíssem mais coloridas.
Taipi é um livro escrito em compromisso com a verdade e que, embora eclipsado por Moby Dick, saiu bem melhor, ao menos para o gosto deste leitor.
Bem... consultando informações na web, constatei que o livro contém elementos de uma experiência que o autor teve entre esses nativos, mas o relato não é totalmente fiel, pois o autor de fato 'enriqueceu' a história para torná-la mais interessante. Pois quatro meses de maciota numa ilha do pacífico em meio a indígenas pacíficos não deve ser bem uma aventura dramática.