Leitura de Nicaragua 🇳🇮
Esse é um livro que não grita sua força, mas a infiltra, como raízes que crescem por baixo da pele. Acompanhando Lavinia, senti que a história não era só dela, mas de muitas mulheres antes e depois, como se o tempo fosse um corpo só, habitado por memórias que se recusam a desaparecer. O que mais me marcou foi essa fusão entre o íntimo e o político. A luta não aparece apenas nas ruas, mas dentro dela, nas escolhas, nos medos, no despertar de uma consciência que vai se tornando impossível de ignorar. E há algo de profundamente bonito na forma como o passado insiste em viver no presente, como se dissesse que nenhuma transformação nasce do zero. É um livro sobre revolução, sim, mas também sobre pertencimento. Sobre entender quem se é quando se olha para trás — e, ainda assim, decidir seguir em frente.



