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    Molloy - Trilogia do Pós-Guerra #1

    Samuel Beckett

    Editora Globo
    2014
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-13: 9788525057167
    Português Brasileiro
    4.2
    181 avaliações
    Leram330Lendo23Querem511Relendo1Abandonos11Resenhas16
    Favoritos1Desejados511Avaliaram181

    Molloy, que, junto com Malone morre e O inominável, compõe a “trilogia do pós-guerra”, marca a estreia de Samuel Beckett como escritor em língua francesa. Escrito no início da década de 1950, mesma época em que o autor escreveu Esperando Godot, foi de certo modo eclipsado pelo imenso sucesso da peça, mas certamente está entre os romances do século XX que continuam atraindo a investigação da crítica mais exigente, e o próprio Beckett costumava pôr seus textos ficcionais num patamar mais alto. Definido por Georges Bataille, em resenha sobre Molloy, como “maravilhoso sórdido”, Beckett apresenta ao leitor aquele que quase poderíamos chamar de seu personagem padrão: Molloy, mais que um “vagabundo”, é um miserável, um resto humano desolado com a perda de tudo. Ao forjar seu narrador na matéria do abandono, da falta de perspectiva e da miséria, Beckett consegue o incrível feito de buscar o sublime pelo despojamento, de questionar metafisicamente o mundo a partir do reconhecimento do seu vazio e de seu sem sentido. É do ponto zero, onde narrar se torna impossível, que Samuel Beckett escreve. Em plena falência da linguagem, em meio aos entulhos e destroços, Molloy, o personagem-narrador, luta, ainda assim, para contar sua história. Com tradução e apresentação de Ana Helena Souza, Molloy é narrado em primeira pessoa – ou, como definia o autor, pelo “narrador-narrado” – o livro traz a voz de dois personagens: Molloy, na primeira parte, e Moran, na segunda. Molloy está no velho quarto de sua mãe e não sabe como chegou lá, e toda sua viagem será a reconstrução desse caminho, por cenas absurdas e doloridas, de fina ironia. Moran, na perseguição de Molloy, vive um desmoronamento pessoal ao percorrer um trajeto em direção à difícil busca da memória e das experiências que constituíram seu próprio eu. Miseráveis sem rumo e sem futuro, os personagens de Beckett repetem as perguntas existenciais clássicas, e têm como resposta o mesmo eco do vazio. Entretanto, no respiro de tamanho pessimismo, é inevitável certo efeito cômico: seus heróis tortos encenam pantomimas patéticas, e riem grosseiramente das próprias dores, retratando, afinal, a dimensão cômica implacável de uma existência sem sentido.

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    Mélany Thielo picture
    Mélany Thielo17/03/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Absurdo e escatológico

    A fome e uma dor persistente no joelho estão mais próximas de nós que qualquer forma de confortável sentido. Molloy e Maron não conseguem narrar nada que pareça chegar em algum lugar, fazem questão de mostrar que não sabem para onde estão ou estavam indo, e narram situações vazias e controversas, não tem certeza nem do próprio nome. Estão mostrando que, olha, talvez no fim das contas nem seja importante mesmo, as palavras não tem sentido. A banalização e a inconsistência são comuns durante toda a narrativa. No final se compreende que o livro tem a essência do que realmente somos: nojentos e bobos que escutam uma voz incongruente e imperativa nas nossas mentes. Por que, se tirar o nome, a memória, fala e saúde de um homem, o que sobra? No livro, sobra o movimento mecânico, a dor e uma consciência persistente e confusa. E é isso que falta no homem no pós-guerra, aí está o início da trilogia. Obs.: E pra completar o pesadelo existencial, no mesmo dia que terminei a leitura, por acaso apareceu um gif do filme begotten no x e tive que ir atrás descobrir que coisa bizarra era aquela. Foi minha maratona de absurdismo… Os dois buscam o que está além da linguagem, são ambientes desoladores, o corpo não tem nenhuma dignidade, apenas insiste em existir.

    4 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 181
    • 5 estrelas46%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%