Desde que Bob Dylan foi galardoado com o Prêmio Nobel, o merecimento do prêmio sempre foi contestado. Particularmente, acredito que “a falta de trabalhos em prosa” não é argumento para a suposta “injustiça”; é inegável que Dylan é a maior voz poética estadounidense da segunda metade do século passado. Seu olhar apurado das questões sociais, somado as reflexões existenciais, fazem de suas composições hinos perante aqueles que as escutam.
Sendo seu primeiro trabalho na prosa, as “Crônicas”, - que, na verdade, são as memórias do cantor, - exprimem um Dylan menos messiânico, menos poeta, refletindo a passagem do tempo, as relações pessoais e seus métodos de composição.
Perpassando várias décadas (os primeiros escritos remontam a setembro de 1961, quando ele chegara até Nova York, e se estendem até o final da década de oitenta, - não de forma cronológica, mas memorialista, onde um assunto remonta várias ocasiões de sua vida), o texto é um prato cheio para fãs da música Folk (Woody Guthrie, Johnny Cash, Van Ronk e muitos outros artistas aparecem como “personagens”).
Para os fãs do cantor (ou entusiastas do folk) a leitura será muito proveitosa.