Não serei presunçoso a ponto de afirmar que Grandes Esperanças é o meu romance, que Pip sou eu, ou qualquer coisa do gênero.
Na verdade, creio que Pip é um dos personagens que melhor representam todos nós, ou pelo menos aqueles de nós que tem humildade de reconhecer não só nossas fraquezas e defeitos, mas também aquelas coisas das quais nos envergonhamos, aqueles preconceitos que inevitavelmente nos acompanham desde o berço e aqueles que adquirimos ao longo de nossa formação.
Não posso encher essa resenha de spoilers, no entanto existem inúmeras cenas marcantes em Grandes Esperanças. Pra mim, fica sempre a imagem do bom e velho Joe, em sua visita a um Pip já aristocrático, em Londres. A diferença entre as classes, que naquele momento vence uma antiga amizade que parecia inabalável, é algo que faz com que reflitamos a respeito de nossa condição humana.
Pip, para mim, é o melhor personagem de um autor repleto de personagens inesquecíveis, como Pickwick, Ebenezer Scrooge ou Oliver Twist. Impossível não experimentar uma infinidade de sentimentos por Pip ao longo do romance. Impossível não amá-lo, não odiá-lo, não parar a leitura e baixar a cabeça, porque sabemos que, embora estejamos lendo uma história do século XIX, estamos vendo ali o nosso espelho, o espelho do ser humano comum, mesquinho e vil, mas que também ama.
Grandes esperanças se tornou, desde a primeira vez em que o li, meu livro favorito. Talvez seja sempre assim mas, assim como Pip, podemos mudar de opinião sem que demos conta disso.