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    As Crônicas Marcianas (Mundos da Ficção Científica #16) - The Martian Chronicles

    Ray Bradbury

    Francisco Alves, (RJ)
    1980
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: 9722100947
    Português Brasileiro
    4.2
    2550 avaliações
    Leram3699Lendo179Querem3034Relendo15Abandonos110Resenhas235
    Favoritos111Desejados3034Avaliaram2550

    The Martian Chronicles -- A chegada (e posterior conquista de Marte) pelos colonos terráqueos... Os contos e histórias que formariam as Crônicas foram sendo publicados em separado, desde 1946, na forma de pulps. Ao reuni-los, nas Crônicas Marcianas de 1950, Bradbury capta brilhantemente a angústia e o pavor do Zeitgeist (o espírito e as manifestações do tempo) sob a ameaça da Guerra Nuclear; criticando simultaneamente a paranóia e a histeria coletiva das forças políticas antagônicas daquela época, em plena Guerra Fria. 'As Crônicas Marcianas foram reunidas num livro por seu autor em 1950, e interligadas por pequenas costuras narrativas. As crônicas acabaram formando emocionante panorama imaginário da chegada do homem a Marte e da colonização do planeta vermelho pela espécie humana. Livro que pode ser visto como um romance fragmentado ou uma seqüência conceitual de contos. Uma nova edição de The Martian Chronicles publicada pela Hill House (2005) apresenta várias histórias adicionais de Bradbury sobre os marcianos! Em 1979 a NBC encomendou três episódios para uma minissérie, a serem produzidos em parceria com a BBC, cuja duração total seria de quatro horas. A adaptação foi escrita por Richard Matheson e houve a direção de Michael Anderson. A série foi estrelada por James Faulkner (Mr. K), Rock Hudson como "Wilder", Darren McGavin (“Sam Parkhill”), Joyce Van Patten (Elma Parkhill), Bernadette Peters como 'Geneviève Selsor'. Bernie Casey como o "Major Jeff Spender”, Christopher Connely (Ben Driscoll). Roddy McDowall como o “Pai da Pedra / Father Stone”, Maggie Wright (Ylla / Mrs. K), Barry Morse como “Peter Hathaway", Fritz Weaver (Father Peregrine). Nicholas Hammond (Commander Arthur Black), Maria Schell (Anna Lustig), Michael Anderson Jr. (David Lustig).... Bradbury achou a série "bem chata": '(....) when one reporter asked him what he thought of the miniseries, he responded candidly, "Booooooooring!" ==== O fio condutor das Crônicas a ocupação do planeta Marte pelo Homem. Para onde foram os marcianos, se é que alguma vez existiram marcianos? Que são esses misteriosos globos azuis que aparecem de vez em quando no céu? Serão criaturas inteligentes, criadas por Deus – e nesse caso Deus poderia ser um círculo, um globo? Tudo se passa no futuro muito próximo; de janeiro de 1999 a outubro de 2026. E ali estão eles, por fim: os marcianos. Bradbury paga em ouro seu tributo aos mestres da fantasia: Sherwood Anderson, cujo 'Winesburg, Ohio' lhe deu inspiração, a série Barsoon: John Carter de Marte de Edgar Rice Burroughs. Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Ambrose Bierce. Fred Hoyle, astrônomo e autor de FC, lembra a odisséia a propósito das Crônicas Marcianas. E por que não? Por suas páginas perpassa um forte sopro de poesia épica: a epopéia do ser humano nos novos mundos que lhe estão destinados. ==== Muito antes do homem chegar à Lua, Ray Bradbury já estava em Marte. O clássico da ficção científica chega ao Brasil após 55 anos de sua publicação. Em suas 26 narrativas, o autor se depara com o cotidiano de um planeta estranho - mas não mais estranho que o nosso -, com a adaptação do homem em Marte e com o choque cultural entre terráqueos e marcianos. Não há pistolas laser, discos voadores e homens verdes com anteninhas na cabeça. O olhar original de Bradbury focaliza donas-de-casa marcianas que bebem "fogo elétrico", colonizadores terráqueos que recebem comida congelada de "icebergs voadores" e um jardineiro que planta árvores em Marte, para inundar de oxigênio a atmosfera rarefeita. Com bom humor, romantismo, suspense e um futurismo retrô, o autor lança afiada crítica à sociedade americana pós-guerra, crítica essa que permanece atual e necessária. É uma visão psicodélica dos dramas do nosso cotidiano, refletindo o medo de uma guerra atômica após a Segunda Guerra, que poderia (ou poderá?) dizimar a vida na Terra.

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes picture
    Sidney Danillo de Moraes Lopes18/05/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    As Crônicas Marcianasl

    Lançado como livro em 1950, Crônicas Marcianas foi escrito por Ray Bradbury e, nesta edição que li, conta com 26 contos (dentre eles vinhetas) lançados originalmente entre 1946 e 1951 em diversas revistas Pulp diferentes, sendo que a idéia de reunir os contos foi de um editor da editora Doubleday. Os contos, por mais que tenham sido lançados separadamente, são unidos por uma cronologia que vai de 1999 a 2026 (na minha edição, parece que em edições posteriores foi adicionado cerca de 30 anos às datas) e uma linha condutora: a exploração humana do planeta Marte. Porém, no universo criado por Bradbury, o planeta vermelho já é habitado por seres com dons telepáticos (usados de forma fantástica na história). Conforme as duas primeiras expedições de humanos se encaminham para Marte, seus habitantes pressentem suas chegadas, absorvendo um pouco das memórias dos tripulantes e prevendo que algo ruim irá acontecer. No segundo conto, por exemplo, chamado "Ylla", a personagem que dá nome ao conto sonha com um ser de pele branca e olhos azuis, que diz que vai levá-la para a Terra e pressente o local de sua chegada. Além disso, em sua mente surge uma canção de língua desconhecida, provavelmente vinda da mente do primeiro explorador. O final acaba sendo trágico, com o marido de Ylla matando o astronauta, o que provoca reações de tristeza na mente da esposa. Após as primeiras interações entre humanos e marcianos, em uma clara alusão às interações entre colonizadores e índios norteamericanos, os humanos levam a catapora para o planeta, dizimando a maioria dos marcianos. A segunda parte dos contos narra a colonização do planeta e a iminência de uma guerra nuclear na Terra, culminando com a volta da maioria dos colonos por conta da eclosão desta guerra. Os contos finais situados em 2026 descrevem de forma bastante melancólica os remanescentes humanos em Marte. A sociedade humana na Terra foi destruída, da mesma forma que destruíram a civilização marciana. No fim, os últimos humanos em Marte tornam-se os novos marcianos. Uma característica que permeia todos os contos é a forma poética com que Bradbury escreve. Ao invés de Marte ser um inferno quente e desértico, o autor pinta o planeta vermelho e seus habitantes de forma quase onírica, há inclusive um tom místico em vários momentos. Os principais assuntos abordados na verdade são preocupações do próprio autor com a situação dos EUA, talvez até seja por isso que na história somente os americanos colonizam o planeta. Bradbury fala de solidão, do medo da guerra nuclear, de racismo, de fé e muitos outros temas, de forma poética e melancólica. Eu gostei de praticamente todos os contos e vinhetas aqui contidos, mas é claro que tenho os meus preferidos: • "Os homens da Terra": com um tom de humor non-sense e um final trágico, conta a história de como os homens da segunda expedição (se não me engano) são tidos pelos habitantes de Marte como loucos e trancados em um manicômio; • "... E a lua continua tão brilhante": Uma expedição humana chega à Marte mas um de seus tripulantes fica indignado com o desrespeito dos outros com os restos mortais da civilização marciana; •"Os balões de fogo": Uma expedição missionária é enviada à Marte chefiada pelo Padre Peregrine (uma referência aos peregrinos que deram origem aos EUA?) com o objetivo de "purificar os pecados de Marte". Chegando lá, o Padre fica sabendo da existência de seres que vivem nas montanhas e parte para lá para "catequiza-los", mas ao ter contato com estes seres, bolas de fogo azul sencientes, o Padre percebe que seus conceitos podem estar errados e, ao mesmo tempo, reforça sua fé; • "Um Caminho no Meio do Ar": O conto retrata um racista branco chamado Teece, que se enfurece ao ver que todos os pretos da cidade estão se dirigindo à Marte. Ele tenta de todas as formas impedir que o seu empregado, chamado Silly, vá embora, mas no final acaba vendo impotente os foguetes decolarem. No auge de sua arrogância e para tentar salvar o orgulho ferido, diz que Silly "O chamou de senhor até o fim". O título faz referência à uma canção gospel afro-americana chamada "Ezekiel Saw the Wheel"; Como podem ver, eu me empolguei escrevendo sobre este livro. Encerro reforçando a beleza desta obra, que pretendo reler no futuro (talvez comprando outra edição) e recomendando fortemente a sua leitura, mesmo se você não for fã de ficção científica.

    237 curtidas

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    4.2 / 2550
    • 5 estrelas42%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
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    Ray Douglas Bradbury

    Ray Douglas Bradbury (Waukegan, 22 de agosto de 1920) é um escritor de contos de ficção-científica norte-americano de ascendência sueca. Foi o terceiro filho de Leonard e Esther Bradbury, por causa do trabalho de seu pai (Técnico em instalação de linhas telefônicas), viajou por muitas cidades dos EUA, até que em 1934 sua família fixou residência em Los Angeles, Califórnia. Alguns pseudônimos usados por Ray Bradbury: Doug Rogers, Ron Reynolds, Guy Amory, Omega, Anthony Corvais, E. Cunningham, Brian Eldred, Cecil Cunningham, D. Lerium Tremaine, Edward Banks, D.R.Banet, Willian Elliot, Brett Sterling, Leonard Spaulding, Leonard Douglas, Douglas Spaulding.

    233 Livros
    685 Seguidores

    Ray Douglas Bradbury