As "Crónicas Marcianas" [O Mundo Marciano na Coleção Argonauta nº 6] é um livro de contos de ficção científica de 1950, de autoria do escritor estadunidense Ray Bradbury (222 páginas – Editora Doubleday), cujo tema recorrente é a colonização de Marte por humanos com problemas e eventualmente vindos de uma Terra sob a iminência de ser devastada pela Guerra Atômica. Há também conflitos entre aborígenes marcianos com os novos colonizadores. O estilo do livro varia de contos a novela episódica, com histórias de Bradbury originariamente publicadas nos anos de 1940 em revistas pulp de ficção científica. Bradbury mencionou Sherwood Anderson e As Vinhas da Ira de John Steinbeck' como influências na estrutura do livro. A obra é similar em sua estrutura a outro livro de contos de Ray Bradbury, The Illustrated Man, que também usa uma história para ligar várias outras entrelaçadas. Como na “Série da Fundação” de Isaac Asimov, As crônicas marcianas seguem uma “história futura”. Assim, os contos quando reunidos seriam capítulos de uma narrativa maior. O livro é dividido em três partes, pontuadas por duas catástrofes: a extinção recente dos marcianos e os paralelos com a iminente extinção da raça humana. A primeira parte (período de janeiro a abril de 2000) detalha as tentativas dos terrestres de explorarem Marte. Na história-chave "—And the Moon be Still as Bright" (-E a Lua ainda brilha) é revelado que a Quarta Exploração descobriu o perecimento dos marcianos por uma praga causada por germes trazidos por uma das explorações anteriores. A segunda parte (dezembro de 2001—novembro de 2005) é quando os terrestres colonizam o desértico planeta e ocasionalmente fazem contato com poucos marcianos sobreviventes. Mas os colonizadores estão mais preocupados em transformarem o planeta em uma segunda Terra. Contudo, com a ameaça de guerra na Terra, a maioria volta ao lar. Com a guerra nuclear, o contato entre Marte e Terra é interrompido. Na terceira parte (dezembro de 2005—outubro de 2026) há os efeitos do pós-guerra e os poucos sobreviventes humanos se tornando os novos marcianos, fazendo uma ponte com "—And the Moon be Still as Bright" e com isso havendo um retorno ao começo. Na edição de 1997 as datas avançaram em 31 anos (o período agora seria de 2030 a 2057), inclui o conto "The Fire Balloons" e substitui "Way in the Middle of the Air" por um conto de 1952 chamado "The Wilderness", datado de maio de 2034 (equivalente a maio de 2003 na primeira cronologia). De acordo com a biografia autorizada de Bradbury escrita por Sam Weller, quatro capítulos foram retirados do manuscrito antes da publicação e permanecem inéditos: "They All Had Grandfathers", "The Disease", "The Fathers" e "The Wheel". Uma nova edição de The Martian Chronicles publicada pela Hill House (2005) apresenta várias histórias adicionais de Bradbury sobre os marcianos!
Crónicas Marcianas (Caminho Ficção Científica #15) - The Martian Chronicles
Ray Bradbury
As Crônicas Marcianasl
Lançado como livro em 1950, Crônicas Marcianas foi escrito por Ray Bradbury e, nesta edição que li, conta com 26 contos (dentre eles vinhetas) lançados originalmente entre 1946 e 1951 em diversas revistas Pulp diferentes, sendo que a idéia de reunir os contos foi de um editor da editora Doubleday. Os contos, por mais que tenham sido lançados separadamente, são unidos por uma cronologia que vai de 1999 a 2026 (na minha edição, parece que em edições posteriores foi adicionado cerca de 30 anos às datas) e uma linha condutora: a exploração humana do planeta Marte. Porém, no universo criado por Bradbury, o planeta vermelho já é habitado por seres com dons telepáticos (usados de forma fantástica na história). Conforme as duas primeiras expedições de humanos se encaminham para Marte, seus habitantes pressentem suas chegadas, absorvendo um pouco das memórias dos tripulantes e prevendo que algo ruim irá acontecer. No segundo conto, por exemplo, chamado "Ylla", a personagem que dá nome ao conto sonha com um ser de pele branca e olhos azuis, que diz que vai levá-la para a Terra e pressente o local de sua chegada. Além disso, em sua mente surge uma canção de língua desconhecida, provavelmente vinda da mente do primeiro explorador. O final acaba sendo trágico, com o marido de Ylla matando o astronauta, o que provoca reações de tristeza na mente da esposa. Após as primeiras interações entre humanos e marcianos, em uma clara alusão às interações entre colonizadores e índios norteamericanos, os humanos levam a catapora para o planeta, dizimando a maioria dos marcianos. A segunda parte dos contos narra a colonização do planeta e a iminência de uma guerra nuclear na Terra, culminando com a volta da maioria dos colonos por conta da eclosão desta guerra. Os contos finais situados em 2026 descrevem de forma bastante melancólica os remanescentes humanos em Marte. A sociedade humana na Terra foi destruída, da mesma forma que destruíram a civilização marciana. No fim, os últimos humanos em Marte tornam-se os novos marcianos. Uma característica que permeia todos os contos é a forma poética com que Bradbury escreve. Ao invés de Marte ser um inferno quente e desértico, o autor pinta o planeta vermelho e seus habitantes de forma quase onírica, há inclusive um tom místico em vários momentos. Os principais assuntos abordados na verdade são preocupações do próprio autor com a situação dos EUA, talvez até seja por isso que na história somente os americanos colonizam o planeta. Bradbury fala de solidão, do medo da guerra nuclear, de racismo, de fé e muitos outros temas, de forma poética e melancólica. Eu gostei de praticamente todos os contos e vinhetas aqui contidos, mas é claro que tenho os meus preferidos: • "Os homens da Terra": com um tom de humor non-sense e um final trágico, conta a história de como os homens da segunda expedição (se não me engano) são tidos pelos habitantes de Marte como loucos e trancados em um manicômio; • "... E a lua continua tão brilhante": Uma expedição humana chega à Marte mas um de seus tripulantes fica indignado com o desrespeito dos outros com os restos mortais da civilização marciana; •"Os balões de fogo": Uma expedição missionária é enviada à Marte chefiada pelo Padre Peregrine (uma referência aos peregrinos que deram origem aos EUA?) com o objetivo de "purificar os pecados de Marte". Chegando lá, o Padre fica sabendo da existência de seres que vivem nas montanhas e parte para lá para "catequiza-los", mas ao ter contato com estes seres, bolas de fogo azul sencientes, o Padre percebe que seus conceitos podem estar errados e, ao mesmo tempo, reforça sua fé; • "Um Caminho no Meio do Ar": O conto retrata um racista branco chamado Teece, que se enfurece ao ver que todos os pretos da cidade estão se dirigindo à Marte. Ele tenta de todas as formas impedir que o seu empregado, chamado Silly, vá embora, mas no final acaba vendo impotente os foguetes decolarem. No auge de sua arrogância e para tentar salvar o orgulho ferido, diz que Silly "O chamou de senhor até o fim". O título faz referência à uma canção gospel afro-americana chamada "Ezekiel Saw the Wheel"; Como podem ver, eu me empolguei escrevendo sobre este livro. Encerro reforçando a beleza desta obra, que pretendo reler no futuro (talvez comprando outra edição) e recomendando fortemente a sua leitura, mesmo se você não for fã de ficção científica.
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