Essa é a edição mais completa disponível em português da Edda em Prosa, e traz todo panteão dos deuses nórdicos e suas histórias do início do universo até o Ragnarök.
Escrito pelo poeta, historiador e político Snorri Sturluson por volta de 1220. Essa obra detalha o panteão nórdico composto por duas principais famílias de deuses, os Aesir e os Vanir.
Snorri escreve o livro sobre a hipótese de que os deuses nórdicos de Asgard (Aesir) foram inspirados por figuras de grandes reis e imperadores.
Os escandinavos antigos eram politeístas e suas crenças se relacionam com a cultura dos povos nórdicos durante a Era Viking (de 793 a 1066 d.C), e embora a região da Islândia já sofresse a influência do Cristianismo, a narrativa do historiador islandês apresentou a percepção mitológica que perpassava na visão dos povos escandinavos antigos tornando a Edda em Prosa uma grande fonte documental da mitologia nórdica.
O autor inicia o livro falando de Odin, ligando ele a criação do mundo:
"Filho de Borr, Odin é a quem é atribuído o título de “Pai de todos”, é o governante do reino e criador de todo universo. É dito que Ele vive em todas as épocas e governa todo o seu reino, e dirige todas as coisas, grandes e pequenas.
Ele criou os Céus e a terra e o ar, e todas as coisas que há neles."
Odin, na minha percepção, juntamente com Loki são os seres mais interessantes de todo o livro.
A imagem de Odin sentado em seu trono de onde tudo vê com seus dois corvos “Hugin” e Munin” e seus dois lobos "Geri e Freki" é poderosa.
Thor, que entre todos os deuses era o mais adorado pelos povos nórdicos, é apresentado apenas como um guerreiro raivoso, de pavio curto e pouco inteligente; que aparece apenas quando é preciso guerrear.
Já Loki é o grande simbolo da maldade, embora suas artimanhas sempre acabem beneficiando os deuses. Tornou-se irmão do deus Odin através de um ritual de sangue e conseguiu privilégios no panteão dos deuses nórdicos. Mas, ainda assim, nunca deixou para trás sua natureza perversa.
Enquanto os outros: como Balder, Frigga, Freya, Frey, Hel, Sif, Tyr e os seres sobrenaturais; Anões, heróis e as Valquírias são apenas brevemente descritos.
Particularmente falando a melhor parte do livro é a apresentação do Ragnarök.
Essa leitura foi muito curiosa, mas também muito maçante: apesar de apresentar os deuses e falar de seus feitos, a escrita não discorre de forma espontânea, o que a torna arrastada em algumas partes e um pouco confusa, sem muita ordenança. Sempre quis ler a fonte dos mitos que geraram tantas histórias na literatura e na cultura pop ocidental, mas a escrita cansativa e a forma de organização das histórias não foi muito prazerosa de ler.
Essa publicação traz várias pinturas e gravuras coloridas, sendo algumas em preto e branco, com representações artísticas dos deuses e de momentos dos mitos. A edição é lindíssima e possui alguma coesão, mas pouquíssima fluidez... sendo assim recomendo apenas para quem for muito fã de mitologia.