Algo que se destaca no primeiro contato é o estilo bonito das ilustrações (numa concepção clássica bastante expressiva) e a diagramação diferenciada das páginas quase sem delimitação de quadros (com várias ações em um mesmo cenário). A disposição poderia parecer caótica, mas a história flui de forma interessante e curiosa, um tanto poética.
Em Hamlet, a representação do fantasma é muito acertada, caracterizando um espectro numa densa noite, e o roteiro privilegia a visão de uma vingança. Entretanto, apareceram também más escolhas: não ilustraram famosas cenas (como a da divagação do "ser ou não ser" e Hamlet no cemitério com a caveira) e entre as frases excluídas, a do "mais mistérios entre o céu e a terra...coisa e tal". Não dá para cortar isso, né! Justamente os aspectos mais lembrados do clássico...
Em Romeu e Julieta, o resumo é acentuado, acho que é adaptação mais curta que já li e nesse aspecto não gostei. Imagino que para quem não leu ou não conhece o clássico haverá momentos confusos.
Continuo encantado com a arte e criatividade na apresentação, mesmo com artefinalização tosca. Imagina o resultado com colorização refinada... É o ponto alto da adaptação.
Na história, Frei Lourenço chegou mesmo no cemitério antes do suicídio de Julieta? Dúvida anotada para a releitura do clássico...
A tempestade, dos três clássicos, é o único que ainda não li e por isso, como previa, fiquei um pouco confuso na HQ. A história tem por protagonistas Próspero e sua filha Miranda, que por infelicidade vão parar em uma ilha, vivendo isolados por anos. Vemos elementos da mitologia, como fadas, feitiçaria e ninfas do mar, que os ajudam (ou não), terminando num final feliz onde são resgatados, com direito a príncipe e descoberta do amor.
Cabe uma ressalva de que, apesar de abordagens muito resumidas, a proposta da obra é apresentar Shakespeare, despertando para o universo literário e seus atrativos.