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    Meu Coração Desnudado -

    Charles Baudelaire

    Nova Fronteira
    1981
    153 páginas
    5h 6m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.7
    60 avaliações
    Leram144Lendo7Querem150Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos2Desejados150Avaliaram60

    Verdadeiro divisor de águas que irrompeu na literatura francesa em meados do século XIX, Baudelaire marca o percurso da literatura até os dias de hoje. Herdeiro de certos traços da obra de Edgar Alan Poe e Gerard de nerval, Baudelaire constrói a sua a partir da crítica radical aos excessos sentimentais do romantismo, contribuindo assim, decisivamente, para a instauração da modernidade. Sua grande inovação foi a atitude perante a linguagem: como observou Erich Auerbach, Baudelaire incorporou o aspecto grotesco da realidade à linguagem sublimada própria dos movimentos literários então vigentes. A partir daí -- desse episódio fundador da poesia moderna -- a realidade passou a ter pleno e franco acesso à linguagem poética. Nesse sentido, 'Meu Coração Desnudado' deixa de ser apenas um conjunto de anotações de caráter íntimo, pare se tornar um texto autenticamente poético: um texto que se articula enquanto linguagem, na medida em que, desnudando a realidade do autor e do mundo que o cerca e oprime, desnuda-se sobretudo a si mesmo. A presente edição entregue ao leitor brasileiro não é apenas uma tradução: é a perfeita transposição da personalidade estilística de Baudelaire para o interior de nossa língua. Não se chamasse o tradutor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. "Uma vez, perguntou-se, em minha presença, em que consistia o maior prazer do amor. Alguém naturalmente respondeu: “em receber”. E um outro: “em dar-se”. Um outro ainda: “prazer de orgulho”. E mais outro: “volúpia de humildade”. Houve, por fim, um descarado utopista que afirmou que o maior prazer do amor era o de formar cidadãos para a pátria. Quanto a mim, digo: a volúpia única e suprema do amor está na certeza de fazer o mal. E o homem e a mulher sabem, desde o nascimento, que no mal se encontra toda a volúpia". -- Charles Baudelaire

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    Erica Amaral picture
    Erica Amaral05/07/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Contradição humana em essência

    Se você é daqueles que torcem o nariz pra tudo, que não avalia o momento de escrita do autor ou não se importa com contextualizações - não leia esse livro! Aqui Baudelaire vomita acidez, e esta acidez não é palatável para os rótulos contemporâneos. Critica abertamente mulheres e homossexuais, usando termos com "pederastas" e tratando aquelas com evidente misoginia, o que retrata sua própria rejeição ao corpo, suas confusões mentais internas. É tanto autofágico como culpa e crítica social. Baudelaire não é um moralista, mas sim um poeta torturado. Leia com a mente aberta!! -- ou nem leia.

    5 curtidas

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    3.7 / 60
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas5%
    Charles-Pierre Baudelaire profile picture

    Charles-Pierre Baudelaire

    Órfão de pai aos seis anos, Charles-Pierre Baudelaire viria a odiar o segundo marido da mãe, o general Jacques Aupick (mais tarde, esse sentimento inspiraria sua atitude rebelde em face das convenções sociais e dos temas frívolos na poesia). Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu os estudos em Lyon para fazer uma viagem à Índia. Na volta, participou da Revolução de 1848. Após esse período conturbado, passou a freqüentar a elite aristocrática. Envolveu-se com a atriz Marie Daubrun, a cortesã Apollonie Sabatier e a também atriz Jeanne Duval, uma mulata por quem se apaixonou e a quem dedicou o ciclo de poemas "Vênus Negra". Em 1847, lançou "La Fanfarlo", seu único romance (trata-se, mais propriamente, de uma novela autobiográfica). Dez anos depois, quando se publicaram "As Flores do Mal" ("Les Fleurs du Mal"), todos os envolvidos com o livro foram processados por obscenidade e blasfêmia. Além de pagarem multa, viram-se obrigados a retirar seis poemas do volume original (só publicado na integra em edições póstumas). Tanto "As Flores do Mal" como "Pequenos Poemas em Prosa" (póstumos, 1869) introduziram elementos novos na linguagem poética, fundindo opostos existenciais como o sublime e o grotesco. Entre seus ensaios, destaca-se "O Princípio Poético" (1876), em que fixa as bases de seu trabalho. Nos diários (também publicados postumamente), revela-se profético e radical contestador da civilização moderna. Literato que avançou as fronteiras dos costumes em sua época, Baudelaire lançou-se como crítico de arte no Salão de 1845, sempre buscando um princípio inspirador e coerente nas obras artísticas. ("Salão" era o nome pelo qual se conhecia a mais importante mostra anual da pintura e da escultura francesas.) De 1852 a 1865, Baudelaire traduziu os textos do poeta e contista norte-americano Edgar Allan Poe, por quem se entusiasmara já no final da década de 1840. Outro Baudelaire, o sifilítico e usuário de drogas, surge em "Os Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe" (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada pelas "Confissões de um Comedor de Ópio" (1821), do escritor inglês Thomas de Quincey. Há também obras de cunho intimista e confessional, como "Meu Coração Desnudo". Baudelaire foi um dos maiores poetas franceses de todos os tempos. Alguns o consideram um antecessor do parnasianismo, ou um romântico exacerbado. Pioneiro da linguagem moderna, impôs à realidade uma submissão lírica. Embora muito criticado, tinha entre seus admiradores homens como Victor Hugo, Gustave Flaubert, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. Dissipou seus bens na boemia e na jogatina parisienses. Mergulhado em dívidas, teve de resignar-se a medidas judiciárias tomadas pelos familiares, e um tutor foi nomeado para controlar-lhe os gastos. Seus últimos anos foram obscurecidos por doenças de origem nervosa. Após uma vida repleta de tribulações, Baudelaire morreu com apenas 46 anos, nos braços da mãe. Seu talento e seu intelecto só seriam totalmente reconhecidos depois. No século 20, tornou-se um ícone, influenciando direta e indiretamente toda a moderna poesia ocidental.

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