Convenhamos que o roteiro desta edição não é uma novidade e nem se esforça para trazer coisas realmente interessantes para o gênero em que se localiza (é uma edição de Halloween, gente!), mas Petra Leão consegue fazer um trabalho positivo ao misturar nuances de O Iluminado e Poltergeist com o drama da fantasma (nada camarada) que assustava os rapazes solitários no laboratório da UFA.
Sejamos francos e objetivos: o ponto realmente bom do texto é, curiosamente, aquilo que Petra Leão normalmente usaria de forma ruim em uma edição fora do horror: o sentimentalismo. Mesmo sendo uma revista sombria, há amizade (Chico e Cia. Ltda.) e flerte (Bombeta com qualquer fêmea / Vespa e Fran / Fran e Chico
), sem contar o sentimento de pertencer a um grupo que marca a fantasma Valentina e seu caso não resolvido na dimensão dos vivos.
Mais uma vez, a trama se ajusta melhor quando vista no todo e é necessário um bom esforço para gostar dela, diferente de histórias como a excelente A Primeira Semana, onde o leitor se sente tão animado e feliz com a qualidade do enredo que não quer parar de ler e fica chateado quando acaba. Isso porque, nesta edição, há coisa infantil demais, boba demais, fraca demais para o mundo de um universitário, especialmente no caso do Chico Bento, que até então se mostrava um personagem bastante maduro, não apenas um jovem de bom coração e com uma grande necessidade de ajudar todo mundo.
A relação do Chico com os fantasmas aqui não é estranha porque isso faz parte da vida dele desde quando era criança, como ele mesmo diz, citando a Vó Dita e tudo mais. Estranho é vermos um Chico moço ter diálogos de um Chico criança, e o mesmo vale para os seus amigos da faculdade. Sinceramente, me parece que Mauricio de Sousa e Marina Takeda e Sousa, os supervisores dos roteiros da CBM, deram ouvidos à estupidez de alguns leitores que reclamaram na internet sobre o tom adulto das primeiras edições desta série e forçaram os autores a trilharem um caminho mais
idiota
nas edições. É a única explicação que eu tenho para isso.
Para mim, infelizmente, Chico Bento Moço está entrando em um limbo. Já estou na trilha das últimas chances para ver se a coisa melhora de verdade, caso contrário, mais uma produção nacional que terei de cortar da minha lista de leituras mensais porque a série, que começou boa demais, descambou para um modelo cada vez menos inteligente e fora do mundo que pretende retratar.