Subterrâneos da Liberdade (Vol. 1) - Os ásperos Tempos

    Jorge Amado

    Martins Fontes
    1970
    233 páginas
    7h 46m
    ISBN-10: 8533204298
    Português Brasileiro

    A literatura engajada de Jorge Amado aparece com toda a força nos três romances que compõem Os subterrâneos da liberdade: Os ásperos tempos, Agonia da Noite e A luz no túnel. Neste primeiro livro, escrito em 1954, a ação começa nas vésperas do golpe que implantou a ditadura de Getúlio Vargas, em 1937. O foco se desloca entre a elite do país e o proletariado, traçando um painel vibrante da sociedade brasileira da época, sempre permeado de histórias de amor e traição, de corrupção e valentia. Entre a base e o topo da pirâmide social, transitam personagens como o jornalista trotskista Saquila, o ex-comerciário Lucas, transformado em agente do governo e falso sindicalista, e sua irmã Manuela, bailarina seduzida por um jovem diplomata devasso e levada a dançar para o próprio Getúlio Vargas numa festa. Jorge Amado mistura figuras históricas e personagens fictícios, e descreve com a mesma desenvoltura greves operárias e banquetes da alta sociedade, negociatas escusas e comícios populistas, o trabalho anônimo e clandestino dos militantes comunistas e a mentira cotidiana dos jornais sob censura.

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    Amauri Pires01/05/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sombra da Ditadura

    "Ásperos Tempos", de Jorge Amado, é o primeiro volume da trilogia "Os Subterrâneos da Liberdade", ambientado às vésperas do golpe de 1937 que instaurou o Estado Novo de Getúlio Vargas. O romance retrata as tensões sociais entre a elite corrupta e o proletariado explorado, misturando política, amor e traição em um painel da sociedade brasileira da época. É uma leitura fundamental na fase política de Jorge Amado e essencial para quem quer entender sua evolução como escritor, diferente de suas obras mais famosas sobre a Bahia tropical, esta narrativa é um drama urbano, séria e densa, situado em Salvador, narrando a história política do Brasil no século XX. É um livro que não oferece respostas fáceis, mas provoca uma reflexão profunda sobre o papel do indivíduo na sociedade. Se o leitor busca a Bahia colorida e festiva, este não é o livro; se busca a Bahia da luta de classes e do jornalismo investigativo, esta é sua obra-prima publicado originalmente em 1963. O livro mergulha na vida de intelectuais, jornalistas e militantes comunistas durante um período de instabilidade política no Brasil, na década de 1950. A trama gira em torno de um jornalista que, ao descobrir um caso de corrupção e assassinato ligado ao crime organizado e à política local e decide investigar. A história é um painel da sociedade baiana, explorando as tensões de classe, a burocracia, a hipocrisia da elite e a luta dos oprimidos. É uma obra de engajamento social, onde o romance se torna uma ferramenta de denúncia. A escrita é mais contida e realista, focada no diálogo e na construção psicológica dos personagens em um ambiente opressivo, o romance é profundamente político e humano, onde Jorge Amado descreve o Brasil em um período de repressão, medo e perseguições ideológicas. O livro narra a vida de personagens que enfrentam não apenas as dificuldades externas impostas pelo regime, mas também conflitos internos relacionados ao amor, à lealdade e aos próprios ideais, equilibrando com maestria o drama pessoal e o contexto histórico, mostrando como as decisões políticas afetam diretamente a vida cotidiana. O autor, com sua escrita fluida e envolvente, constrói o retrato sensível de um país dividido, onde a esperança insiste em sobreviver mesmo nos momentos mais sombrios. O romance se destaca por não reduzir seus personagens a meros símbolos políticos, eles são complexos, contraditórios e profundamente humanos. A obra também reforça uma das marcas do autor, a valorização da solidariedade e da resistência coletiva como resposta às adversidades.

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