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    Os Ásperos Tempos (Os Subterrâneos da Liberdade #I) -

    Jorge Amado

    Record
    2001
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-10: 8501059218
    Português Brasileiro
    4.3
    294 avaliações
    Leram606Lendo26Querem466Relendo1Abandonos12Resenhas24
    Favoritos13Desejados466Avaliaram294

    O romance Os ásperos tempos é o primeiro volume da trilogia Os subterrâneos da liberdade. O livro narra a instauração do regime ditatorial do Estado Novo, imposto em 1937 por Getúlio Vargas, desde os seus preparativos. São Paulo e seus escritórios, seus salões da alta sociedade, seus espaços operários e aparelhos clandestinos são os principais cenários da narrativa. A casa do banqueiro Costa Vale é um centro de decisões políticas mais importante que o gabinete do presidente. Este é visto por seus opositores como um fantoche da burguesia e das potências estrangeiras. As demais forças políticas não são menos comprometidas: o integralismo é uma paródia do nazi-fascismo, os trotskistas são igualados aos agentes da polícia, e a política trabalhista de Vargas é um meio de enganar os operários, abrindo caminho para o surgimento de falsos líderes sindicais. O engajamento do romance adota um teor realista que pretende ensinar sobre a história brasileira e incitar à tomada de posição. Os movimentos de resistência ganham destaque, como um foco de guerrilha camponesa que leva à revolta dos índios pataxós no sul da Bahia. Acompanha-se também a passagem de Apolinário, um membro do Partido Comunista, pelo Uruguai, onde o militante encontra apoio. E a jovem Mariana, integrante do partido, vive devotada à causa dos companheiros. Apesar do forte conteúdo político, a estrutura narrativa sobressai, pois aproveita o formato de folhetim para descrever negociatas, paixões, adultérios, casamentos arranjados e perseguições policiais, preservando a habilidade narrativa característica de Jorge Amado. A combinação entre arte e política de Os ásperos tempos foi decisiva para a experiência ficcional do autor.

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    Amauri Pires01/05/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sombra da Ditadura

    "Ásperos Tempos", de Jorge Amado, é o primeiro volume da trilogia "Os Subterrâneos da Liberdade", ambientado às vésperas do golpe de 1937 que instaurou o Estado Novo de Getúlio Vargas. O romance retrata as tensões sociais entre a elite corrupta e o proletariado explorado, misturando política, amor e traição em um painel da sociedade brasileira da época. É uma leitura fundamental na fase política de Jorge Amado e essencial para quem quer entender sua evolução como escritor, diferente de suas obras mais famosas sobre a Bahia tropical, esta narrativa é um drama urbano, séria e densa, situado em Salvador, narrando a história política do Brasil no século XX. É um livro que não oferece respostas fáceis, mas provoca uma reflexão profunda sobre o papel do indivíduo na sociedade. Se o leitor busca a Bahia colorida e festiva, este não é o livro; se busca a Bahia da luta de classes e do jornalismo investigativo, esta é sua obra-prima publicado originalmente em 1963. O livro mergulha na vida de intelectuais, jornalistas e militantes comunistas durante um período de instabilidade política no Brasil, na década de 1950. A trama gira em torno de um jornalista que, ao descobrir um caso de corrupção e assassinato ligado ao crime organizado e à política local e decide investigar. A história é um painel da sociedade baiana, explorando as tensões de classe, a burocracia, a hipocrisia da elite e a luta dos oprimidos. É uma obra de engajamento social, onde o romance se torna uma ferramenta de denúncia. A escrita é mais contida e realista, focada no diálogo e na construção psicológica dos personagens em um ambiente opressivo, o romance é profundamente político e humano, onde Jorge Amado descreve o Brasil em um período de repressão, medo e perseguições ideológicas. O livro narra a vida de personagens que enfrentam não apenas as dificuldades externas impostas pelo regime, mas também conflitos internos relacionados ao amor, à lealdade e aos próprios ideais, equilibrando com maestria o drama pessoal e o contexto histórico, mostrando como as decisões políticas afetam diretamente a vida cotidiana. O autor, com sua escrita fluida e envolvente, constrói o retrato sensível de um país dividido, onde a esperança insiste em sobreviver mesmo nos momentos mais sombrios. O romance se destaca por não reduzir seus personagens a meros símbolos políticos, eles são complexos, contraditórios e profundamente humanos. A obra também reforça uma das marcas do autor, a valorização da solidariedade e da resistência coletiva como resposta às adversidades.

    18 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 294
    • 5 estrelas46%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas11%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Jorge Leal Amado de Faria profile picture

    Jorge Leal Amado de Faria

    Foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos. Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa.

    175 Livros
    2.244 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Jorge Leal Amado de Faria