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    Liquidação -

    Imre Kertész

    Companhia das Letras
    2005
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-10: 8535907580
    Português Brasileiro
    4.2
    111 avaliações
    Leram160Lendo1Querem185Relendo1Abandonos2Resenhas8
    Favoritos16Desejados185Avaliaram111

    História dos mistérios que cercam o suicídio do escritor húngaro B., Liquidação é um romance, uma peça e também uma investigação sobre as possibilidades de criação artística após Auschwitz. Em 2002, Imre Kertész ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. B., um escritor húngaro, suicida-se e deixa como legado uma peça de teatro intitulada Liquidação. Um dos personagens do manuscrito é o editor de B., Amargo, o protagonista deste desconcertante romance do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2002, Imre Kertész. É Amargo que, analisando a peça e investigando o passado do amigo morto, descobre as causas mais profundas de um gesto tão radical. Não espere aqui as convenções e peripécias do gênero policial. A investigação de Amargo está menos preocupada com os fatos - como a possível existência de outro manuscrito obscuro - do que com suas ressonâncias éticas e filosóficas. B. é uma das poucas crianças nascidas em Auschwitz, e o suicídio remete à condição individual possível em meio à armadilha histórica: assim como a Hungria e o próprio Kertész, o personagem passou a maior parte do século XX dividido entre o totalitarismo de Hitler e o de Stalin.

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    Rafael Gurgel26/02/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Vivemos a era das catástrofes, todo homem é portador da catástrofe, e para a sobrevivência se faz necessária uma arte peculiar da sobrevivência, ele disse. O homem do tempo das catástrofes não tem destino, não tem qualidades, não tem caráter. O meio social terrível - o Estado, a ditadura, chame-o como quiser - o seduz com a força de atração dos redemoinhos vertiginosos até que ele desista da resistência e nele exploda o caos como um gêiser fervente - e a partir de então o caos se torna sua morada." (p. 48) B., um escritor húngaro, se suicida. Amargo, seu amigo, a partir de uma peça deixada como legado, investiga, então, não apenas as razões de tal gesto, como a existência de um possível romance. O registro deste autor é de um magnetismo impressionante. Tem ritmo, tem poesia - sobretudo por conta das repetições. Ele escreve de um jeito simples, mas nada óbvio: as sentenças longas me deixavam sem fôlego, eu as perseguia feito louco, alucinado para entender aonde aquilo me levava. É uma escrita que se aproxima de seus vários objetos para depois se afastar, lançando mão do fluxo de consciência, da alternância de vozes e das muitas reflexões éticas que põe em suspensão. Kertész, vencedor do Nobel de Literatura em 2002, tensiona neste romance o que é a realidade - sobretudo aquela interior a nós, aquela sem a qual não existe o fora. Lembrei-me um tanto de Gumbrecht e seu "Produção de Presença", afinal, a pergunta que o texto me parece fazer é justamente COMO nos produzimos. Ou por quê nos produzimos? O quanto do Mal precisamos assumir para seguir com o curso previsível de nossas vidas? Este livro é denso, absolutamente cheio de camadas e misterioso. Das experiências mais fortes que tive em Literatura, me desorganizou muito. Com certeza ainda o revisitarei.

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    Imre Kertész profile picture

    Imre Kertész

    Filho de judeus, Imre Kertész nasceu em 1929, em Budapeste, e aos quinze anos foi deportado para Auschwitz e depois para Buchenwald e Zeitz, de onde saiu em 1945. De volta à Hungria, trabalhou por alguns anos como jornalista, e em meados da década de 1950 passou a viver de literatura, como tradutor e escritor. <i>O Fiasco</i> (2011) faz parte da trilogia formada por <i>Sem destino</i> (1975) e <i>Kadish, por uma criança não nascida</i> (1990). Recebeu diversos prêmios literários, incluindo o Nobel de Literatura de 2002. De acordo com a Academia Sueca, Kertész se destaca por "uma escrita que sustenta a vivência frágil do indivíduo contra a arbitrariedade bárbara da história."

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    Pest, Hungria

    Imre Kertész