Centro, de Antônio Barreto, da coleção “BH. A cidade de cada um”, foi publicado em 2014 e tem como tema central – como o próprio nome já diz – o Centro da capital mineira. Barreto tem uma escrita divertida e envolvente, características que transbordam ao leitor um pouco de sua personalidade.
O livro retrata o Centro de Belo Horizonte sob a perspectiva do autor, trazendo memórias da década de 70 e 80, com informações sobre as pessoas e lugares que faziam parte do seu convívio. Bar Beagandaia, Bar do Helton, Elite, Buteco do Geraldinho Furreca, Scaramouche, Hi-fi, Xok-Xok, são alguns dos palcos onde essa história é contada. Os bares constituem uma espécie de mapa afetivo da boemia belo-horizontina, são neles, os “santuários”, onde escritores e intelectuais se reuniam e trocavam prosas ao celebrar a vida.
Entre causos engraçados, o autor emprega críticas e reflexões, como a perda da boemia para a especulação do mercado imobiliário e uma definição – a partir de uma discussão de bar – do que constitui o “Baixo-Belo” e o “Alto-Belo”, que hoje pode ser entendido como “Baixo Centro” e “Alto Centro”.
Através desse livro o autor consegue fazer um misto de humor, crítica e história, preservando a memória de lugares, pessoas e de um estilo de vida. Antônio Barreto criou uma obra que vale a pena.