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    Gilead -

    Marilynne Robinson

    Picador
    2006
    247 páginas
    8h 14m
    ISBN-13: 9780312424404
    4.2
    265 avaliações
    Leram348Lendo55Querem713Relendo3Abandonos21Resenhas45
    Favoritos0Desejados713Avaliaram265

    Twenty-four years after her first novel, Housekeeping, Marilynne Robinson returns with an intimate tale of three generations from the Civil War to the twentieth century: a story about fathers and sons and the spiritual battles that still rage at America's heart. Writing in the tradition of Emily Dickinson and Walt Whitman, Marilynne Robinson's beautiful, spare, and spiritual prose allows "even the faithless reader to feel the possibility of transcendent order" (Slate). In the luminous and unforgettable voice of Congregationalist minister John Ames, Gilead reveals the human condition and the often unbearable beauty of an ordinary life.

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    jota 1103/10/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Estado de graça

    Estamos na metade dos anos 1950 em Gilead, pequena cidade do estado de Iowa. O reverendo John Ames, personagem principal deste livro, passou quase sua vida toda ali. Ele está com cerca de 77 anos, tem um sério problema cardíaco e acredita estar próximo de seu fim. É ao filho de apenas sete anos que Ames se dirige o tempo todo (ele se casou bastante tarde e sua esposa tem a metade de sua idade), como se estivesse escrevendo uma longa carta para ser lida apenas quando o menino tornar-se adulto. Ames dá-nos a entender que essa é a única herança possível que pode deixar para o pequeno, ao mesmo tempo em que lhe vai passando ensinamentos fundamentais para uma vida correta e decente. Tocando aqui e ali em questões filosóficas e teológicas, ele igualmente vai nos contando a história de sua família de religiosos – ele fala especialmente de seu avô, um abolicionista que participou da Guerra da Secessão, uma figura fascinante. Outra figura que chama muito a atenção é o afilhado do reverendo, o desajustado Jack Boughton. Ele participa, bem próximo do final do livro, de uma das cenas mais comoventes da obra. A todo o momento o divino e o profano se cruzam nessas páginas permeadas de grande sensibilidade e poesia. Como neste trecho: "Muitas vezes amei a tranquilidade de um domingo comum. É como estar em um jardim recém-plantado após uma chuva quente. É possível sentir a vida silenciosa e invisível." Ou ainda este: “A memória pode fazer uma coisa parecer bem mais do que ela realmente foi." Não por acaso o livro de Marilynne Robinson foi vencedor do prêmio Pulitzer de 2005 e sobre ele The Washington Post escreveu que “(...) é tão belo, tão bem escrito, que o leitor se sentirá em estado de graça só em lê-lo.” Esse elogio não é exagerado, de modo algum. Desde as primeiras páginas o livro lembra outro, com temática afim: A Morte Vem Buscar o Arcebispo, de Willa Cather, definitivamente uma de minhas leituras mais prazerosas em vários anos. Mas ainda outra obra vem à memória durante a leitura de Gilead: o igualmente belo e comovente Diário de Um Pároco de Aldeia, de Georges Bernanos, citado por Ames a certa altura. Gilead lembra o livro de Bernanos não apenas pela suavidade e delicadeza em contar as coisas como o personagem nos conta, mas também pelas questões espirituais e materiais por ele abordadas. Tanto o livro de Cather quanto o de Bernanos – e provavelmente acontecerá a mesma coisa com este de Marilynne Robinson – permanecem na memória muito tempo após a leitura. Em vez da tradicional divisão em capítulos, o livro é desenvolvido em parágrafos de tamanhos variados (geralmente curtos ou médios), contando histórias que vão e voltam no tempo. Ames começa contando um fato, depois o larga pelo caminho e a ele retorna mais tarde, de modo a manter sempre o interesse do leitor, já que nenhum acontecimento de grande monta, nenhum desastre excepcional, nenhuma aventura inesquecível dá suas caras por aqui. Mas a morte sim: e o que Ames pensa sobre o fim? Veja este belo trecho: “Parece ridículo supor que os mortos sintam falta de algo. Se você for adulto quando ler isso – é o que pretendo com esta carta: que você só a leia quando já for adulto -, já terei partido há muito tempo. E terei aprendido quase tudo o que há para se aprender sobre o que é estar morto. Mas, provavelmente, guardarei para mim essas descobertas. Ao que parece, é assim que as coisas são.” Mesmo com um personagem tão sábio e carismático à nossa frente por quase trezentas páginas, alguém acostumado com narrativas ligeiras ou frenéticas pode achar a vida de Ames sem graça, enfadonha, maçante: disso não resta dúvida, já que sua história se desenrola basicamente através do pensamento e da reflexão. Mas deixando de ler Gilead por conta disso, o leitor perde a oportunidade de conhecer a escrita particular dessa notável autora. Sobre a qual o Publishers Weekly escreveu: “Muitos escritores tentam capturar os conceitos universais de força, luta, felicidade e perdão. Marilynne Robinson de fato os alcançou neste livro, destinado a ser um clássico.” E Gilead já é considerado pela crítica um moderno clássico da literatura americana. Digno de figurar ao lado do livro da compatriota Cather e do do francês Bernanos. Lido entre 18/09 e 03/10.2013.

    26 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 265
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Marilynne Summers Robinson profile picture

    Marilynne Summers Robinson

    Marilynne Robinson é uma premiada escritora e ensaista estadunidense. Robinson escreveu três aclamados romances: Housekeeping, em 1980, Gilead, em 2004, e Home, em 2008. Gilead ganhou o prémio Pulitzer de Ficção, e Home ganhou o Orange Prize for Fiction do Reino Unido. Gilead acompanha Home, focando ambos a família Boughton. É também autora de trabalhos não ficcionais, incluindo Mother Country: Britain, the Welfare State, and Nuclear Pollution, de 1989, e The Death of Adam: Essays on Modern Thought, de 1998. Escreveu numerosos artigos, ensaios e críticas para a Harper's Magazine, para a The Paris Review e para a The New York Times Book Review. Na sua escrita, fortemente espiritual, é assumido, maioritariamente, um ponto de vista cristão sobre o mundo.

    29 Livros
    4 Seguidores
    Idaho, EUA

    Marilynne Summers Robinson