Em forma de confissão, Georges Bernanos narra a vida de um jovem padre católico na região francesa de Ambricourt. Ao denunciar que o cristianismo está sendo transformado em rotina no mundo moderno, o autor retrata a morte simbólica desse mundo no confronto entre conformidade e inconformidade, entre espiritualidade e praticidade. O livro foi adaptado para o cinema em 1951 pelo cineasta francês Robert Bresson.
Diário de um pároco de aldeia -
Georges Bernanos
Edições (4)
Ver maisEis Georges Bernanos: soldado de trincheira na famigerada Primeira Grande Guerra, casou com uma descente dos Arc, família que conta como seu membro mais ilustre uma certa Joana. O Homem não parava: certo dia, cismou de buscar exílio no Paraguai; antes, parou no Rio de Janeiro. Otto Lara Resende conta que foram vê-lo Augusto Frederico Schmidt e Alceu Amoroso Lima. Foi a Assunção, deu uma volta por Buenos Aires, mas logo retornou para o Rio. O Brasil fisgou o inquieto intelectual e combatente francês. E não veio só. Acompanhado da família, constituída pela esposa de uma linhagem heroica e santa, seis filhos (!), um sobrinho e um grande amigo francês, igualmente premido por guerras e ditaduras. Bernanos quis ser fazendeiro e não deixou por menos: fixou-se sucessivamente em Itaipava, Vassouras, Pirapora e Barbacena. Num bairro que tornaria mundialmente celébre (Cruz das Almas, em Barbacena- MG), viveu os últimos anos (1940-1944) de sua atribulada e rica existência. Pouco depois do fim da II Grande Guerra, Bernanos morreu na Europa 1948. O Diário de Um Pároco de Aldeia, publicado em 1936 é sua obra-prima. O pároco de que trata a obra é um jovem devotado a Cristo, à Igreja e a seus paroquianos, especialmente àqueles mais pobres, a maioria. Leva uma vida miserável, muito por conta de problemas estomacais e, a julgar pela descrição do autor, usa uma batina surradíssima. (Bernanos era um católico fervoroso, mas não era cego.) A grande sacada do livro é o diário onde estão anotados pensamentos, reflexões e impressões do jovem pároco. São observações que faz sobre a sua vida, mas principalmente a dos outros. Poucos livros expõem tão claramente a miséria humana quanto este o que, concomitantemente, o faz muito, muito humano. Tanto que chega a incomodar. Li e reli. Não é lá tão fácil ou palatável. "O Diário de Um Pároco de Aldeia" pode ser apresentado através de um trecho de "A Mesa", do gigante Carlos Drummond de Andrade, um dos mais belos poemas já escritos neste mundo: "Feroz a um breve contato, à segunda vista, seco, à terceira vista, lhano, dir-se-ia que ele tem medo de ser, fatalmente, humano."
Estatísticas
Avaliações
4.4 / 187- 5 estrelas55%
- 4 estrelas31%
- 3 estrelas11%
- 2 estrelas3%
- 1 estrelas0%




