Diário de um Pároco de Aldeia -

    Georges Bernanos

    Sétimo Selo
    2021
    245 páginas
    8h 10m
    ISBN-10: 6588732112
    Português Brasileiro

    Publicado em mais de vinte e sete países e incluído na lista dos doze melhores romances de língua francesa, Diário de um pároco de aldeia é considerado uma das obras-primas da literatura do século XX. Através das páginas escritas em tom confessional por um jovem pároco, Georges Bernanos apresenta ao leitor a viagem da alma e do corpo deste servidor pela pequena cidade de Ambricourt, no norte da França ― a relação dele com a fé, com o seu serviço sacerdotal, com a doença do corpo, e o confronto com a realidade de sua paróquia, com suas dúvidas e seus erros. O romance mais popular e tocante de Georges Bernanos ― que, segundo François Mauriac, tinha “o magnífico dom de tornar natural o sobrenatural” ― ganha agora uma nova tradução para o português, que se aproxima consideravelmente não só do estilo do escritor francês, reconhecidamente elevado, como também do estilo que ele cria para o jovem pároco, que se põe a registrar num diário, entre um dia e outro de entrega piedosa aos paroquianos, os seus conflitos mais íntimos.

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    Arsenio Meira22/02/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Eis Georges Bernanos: soldado de trincheira na famigerada Primeira Grande Guerra, casou com uma descente dos Arc, família que conta como seu membro mais ilustre uma certa Joana. O Homem não parava: certo dia, cismou de buscar exílio no Paraguai; antes, parou no Rio de Janeiro. Otto Lara Resende conta que foram vê-lo Augusto Frederico Schmidt e Alceu Amoroso Lima. Foi a Assunção, deu uma volta por Buenos Aires, mas logo retornou para o Rio. O Brasil fisgou o inquieto intelectual e combatente francês. E não veio só. Acompanhado da família, constituída pela esposa de uma linhagem heroica e santa, seis filhos (!), um sobrinho e um grande amigo francês, igualmente premido por guerras e ditaduras. Bernanos quis ser fazendeiro e não deixou por menos: fixou-se sucessivamente em Itaipava, Vassouras, Pirapora e Barbacena. Num bairro que tornaria mundialmente celébre (Cruz das Almas, em Barbacena- MG), viveu os últimos anos (1940-1944) de sua atribulada e rica existência. Pouco depois do fim da II Grande Guerra, Bernanos morreu na Europa 1948. O Diário de Um Pároco de Aldeia, publicado em 1936 é sua obra-prima. O pároco de que trata a obra é um jovem devotado a Cristo, à Igreja e a seus paroquianos, especialmente àqueles mais pobres, a maioria. Leva uma vida miserável, muito por conta de problemas estomacais e, a julgar pela descrição do autor, usa uma batina surradíssima. (Bernanos era um católico fervoroso, mas não era cego.) A grande sacada do livro é o diário onde estão anotados pensamentos, reflexões e impressões do jovem pároco. São observações que faz sobre a sua vida, mas principalmente a dos outros. Poucos livros expõem tão claramente a miséria humana quanto este o que, concomitantemente, o faz muito, muito humano. Tanto que chega a incomodar. Li e reli. Não é lá tão fácil ou palatável. "O Diário de Um Pároco de Aldeia" pode ser apresentado através de um trecho de "A Mesa", do gigante Carlos Drummond de Andrade, um dos mais belos poemas já escritos neste mundo: "Feroz a um breve contato, à segunda vista, seco, à terceira vista, lhano, dir-se-ia que ele tem medo de ser, fatalmente, humano."

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