Diário de um Pároco de Aldeia (Grandes Romancistas Abril Cultural) - Journal d'un curé de campagne

    Georges Bernanos

    Abril Cultural
    1985
    242 páginas
    8h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Diário de um Pároco de Aldeia é um romance de Georges Bernanos publicado em 1936 pela editora Plon tendo recebido o Grand prix du roman de l'Académie française desse ano. Em 1950, este romance foi incluído na lista do Grand prix des Meilleurs romans du demi-siècle. Publicado em vinte e oito países, totalizando milhões de exemplares, Diário de um pároco de aldeia é considerado pela crítica como uma obra-prima do século XX. "O Dom magnífico de Bernanos é o de tornar o sobrenatural natural" (François Mauriac). "Diário de um pároco de aldeia é, e não se pode duvidar disso, a obra-prima de Bernanos. Trata-se de um livro comovente" (G. Marcel). "Este escritor de raça merece o respeito e a gratidão de todos os homens livres" (Albert Camus).

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    Arsenio Meira22/02/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Eis Georges Bernanos: soldado de trincheira na famigerada Primeira Grande Guerra, casou com uma descente dos Arc, família que conta como seu membro mais ilustre uma certa Joana. O Homem não parava: certo dia, cismou de buscar exílio no Paraguai; antes, parou no Rio de Janeiro. Otto Lara Resende conta que foram vê-lo Augusto Frederico Schmidt e Alceu Amoroso Lima. Foi a Assunção, deu uma volta por Buenos Aires, mas logo retornou para o Rio. O Brasil fisgou o inquieto intelectual e combatente francês. E não veio só. Acompanhado da família, constituída pela esposa de uma linhagem heroica e santa, seis filhos (!), um sobrinho e um grande amigo francês, igualmente premido por guerras e ditaduras. Bernanos quis ser fazendeiro e não deixou por menos: fixou-se sucessivamente em Itaipava, Vassouras, Pirapora e Barbacena. Num bairro que tornaria mundialmente celébre (Cruz das Almas, em Barbacena- MG), viveu os últimos anos (1940-1944) de sua atribulada e rica existência. Pouco depois do fim da II Grande Guerra, Bernanos morreu na Europa 1948. O Diário de Um Pároco de Aldeia, publicado em 1936 é sua obra-prima. O pároco de que trata a obra é um jovem devotado a Cristo, à Igreja e a seus paroquianos, especialmente àqueles mais pobres, a maioria. Leva uma vida miserável, muito por conta de problemas estomacais e, a julgar pela descrição do autor, usa uma batina surradíssima. (Bernanos era um católico fervoroso, mas não era cego.) A grande sacada do livro é o diário onde estão anotados pensamentos, reflexões e impressões do jovem pároco. São observações que faz sobre a sua vida, mas principalmente a dos outros. Poucos livros expõem tão claramente a miséria humana quanto este o que, concomitantemente, o faz muito, muito humano. Tanto que chega a incomodar. Li e reli. Não é lá tão fácil ou palatável. "O Diário de Um Pároco de Aldeia" pode ser apresentado através de um trecho de "A Mesa", do gigante Carlos Drummond de Andrade, um dos mais belos poemas já escritos neste mundo: "Feroz a um breve contato, à segunda vista, seco, à terceira vista, lhano, dir-se-ia que ele tem medo de ser, fatalmente, humano."

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