Apenas uma Mulher e outras Histórias -

    D.H. Lawrence

    BestBolso
    2015
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788577991662
    Português Brasileiro

    Exclusiva da BestBolso, esta antologia apresenta o universo de D.H. Lawrence aos leitores contemporâneos. Considerado um autor erótico em seu tempo, escreveu sobre casamentos, adultérios, separações, flertes e namoros, sempre valorizando a tensão sexual em cada um destes relacionamentos. Em sua percepção, o desejo direcionava a vida de todos, mas as barreiras sociais e econômicas sempre estariam lá para dificultar, principalmente em uma sociedade hierarquizada como a britânica, que, mesmo no século XX, ainda cultivava a rígida moral vitoriana. Sua obra causou polêmica, e alguns de seus livros chegaram a ser censurados. Um século depois, seus temas continuam atuais e instigantes. Nesta edição de bolso estão reunidos os seguintes textos: Apenas uma mulher; A sombra no roseiral; A vez da sra. Radford; Subvenção do sindicato; Em segundo lugar; As sombras da primavera e O velho adão. O conto que dá título ao livro, Apenas uma mulher, narra a história de duas mulheres, March e Banford, que vivem em uma fazenda isolada, atormentadas por uma raposa que ronda a propriedade. A rotina delas muda completamente quando um jovem soldado chega ao rancho e desperta o desejo ardente de March.

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    Carla Silva01/04/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Homens e Mulheres e Raposas

    D. H. Lawrence escreveu essa novela-título por volta da época da Primeira Guerra (1914-1918). O contexto refere-se a um jovem soldado que, de licença do front, volta para visitar um velho parente e descobre que ele faleceu, e que agora, na antiga fazenda de sua juventude, moram duas mulheres, que se dedicam à vida de fazendeiras com pouco sucesso. A arte de Lawrence está logo ali, na atmosfera de tensão que consegue estabelecer entre essas três pessoas, no uso simbólico (como fizera em "O Pavão Branco") da figura da raposa, animal que tem assaltado o galinheiro sistematicamente sem que as moças consigam impedir os estragos; no curioso "encontro" entre a raposa e uma delas, Nellie March - mescla de revelação, tensão, magia, enfim, simbolismo; na inicial cordialidade de Jill Banford e Henry, o jovem soldado, até que a atração entre ele e March destrua essa boa vontade; no uso insistente dos sobrenomes das moças muito mais do que nos seus nomes, especialmente March, uma figura feminina sempre vestida como um homem; e muito mais. A chamar a atenção está o embate psicológico e emocional, nunca exatamente físico, entre homens e mulheres, uma constante de Lawrence. Como se quisesse dizer que a paixão, para funcionar, exige abdicação da própria individualidade, e de como o ser humano resiste a isso. Ou a abdicação, como aparece aqui, é exigida por um dos dois, sem, contudo, ser necessária? Sendo apenas o egocentrismo de um que deseja esse abandono por parte do outro? E enfim - o que é a Raposa? Ou quem é a Raposa? A pensar. E reler. E pensar.

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