Didascalicon - A arte de ler

    Hugo de São Vítor

    Vide Editorial
    2015
    246 páginas
    8h 12m
    ISBN-13: 9788567394527
    Português Brasileiro

    O "Didascalicon" de Hugo de São Vítor compreende a maior síntese feita sobre as doutrinas filosóficas até o momento de sua concepção e marca, na Idade Média, a emergência da visão escolástica acerca das chamadas "ciências mecânicas" e das "artes" (entendidas como operações capazes de criar artifícios, em oposição à natureza, diferindo da ideia de arte plástica e estética que temos hoje). Para os escolásticos, esses conhecimentos não eram dignos das cátedras universitárias. No "Didascalicon", Hugo de São Vítor elucida as diversas razões para esta opinião. O "Didascalicon" foi uma das principais referências, a partir do século XII, para os intelectuais medievais que buscavam uma síntese sobre as questões da filosofia, sobre as diversas artes e sobre como estudar para melhor desvendar o mundo.

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    Jamile Dias19/06/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Didascálicon - "coisas concernentes à escola"

    Em busca do aperfeiçoamento do estudo e da melhor absorção por meio da leitura, fui conduzida a ler três livros relacionados ao tema: Como ler um Livro de Mortimer Adler, Vida Intelectual de Sertillanges e esse foi o terceiro da sequência. De antemão, posso dizer que os três convergem no seguinte ponto : o excesso de leitura (principalmente sobre temas vulgares) é senão desnecessário, como extremamente danoso ao aprendizado, provocando alienação. Deve-se ler aquilo que é edificante e na medida adequada, buscando reservar tempo para outras atividades. Quanto ao ponto de condução de vida social, Sertillanges e Hugo, afirmam que é pouco provável conseguir se desenvolver intelectualmente, com excessos de compromissos e relacionamentos. O estudo, a pesquisa e a leitura demandam concentração e sacrifícios, que relações supérfluas e apego a esta vida acabarão por deturpar esses objetivos superiores. Iniciando em Sertillanges e se complementando em Hugo, a também a relevância do estudo da filosofia como ponto de partida para qualquer estudo em qualquer campo. Já que a etimologia da palavra Filosofia significa "amor ao saber". Pode-se entender por filosofia o estudo da natureza das coisas, dos costumes , razão dos atos e esforços humanos. Desta forma, fica evidente o quão estúpido é tentar dissociar a filosofia das ciências, que nada mais são do que a parte mecânica do agir humano, que buscam atender necessidades fisiológicas, imitando a natureza (sentido de essência) de tudo que há a seu redor. Outra consequência de se buscar o entendimento em separado é produzir um super especialista que deixa de ser humano, por deixar o estudo da parte moral e teológica da filosofia de lado, e age buscando somente retorno financeiro ou satisfação do ego. Retomando a característica de imitador do homem, essa foi a ele proporcionada por meio de sua capacidade racional e não deve ser vista como negativa. Enquanto que a todos os elementos da natureza foi determinada uma função, ao homem é dado o desafio de descobrir por meio da inteligência (investigação da verdade e na reflexão sobre os costumes) e da ciência (mecânica), qual sua finalidade em existir. A primeira parte do livro é dedicada a explicação e desdobramento das ciências (mecânicas) e a segunda trata do estudo teológico.

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