Tem alguns autores que foram mais cedo do que deviam porque cometeram suicídio, como Virginia Woolf, Yukio Mishima e Silvia Plath. Nós não sabemos o que mais eles poderiam ter escrito e que outras grandes obras deixariam aqui ao invés de escolherem partir. E aqueles autores que foram assassinados? São pouquíssimos, mas eles existem e Bruno Schulz infelizmente está nessa lista. Morto durante a invasão alemã na Polônia, porque um nazista idiota sabia que ele era protegido de outro nazista desgraçado e tendo uma desavença com o seu colega de trabalho, matou o escritor polonês para ficar quite.
Perderam-se alguns contos e o manuscrito de seu primeiro romance, Messias. O que sobrou foi compilado nessa edição da Cosac Naify na coleção A Prosa do Mundo, e mais uma vez surge um desafio, que é falar de um livro de contos, embora esse seja o mais fácil deles provavelmente, porque Schulz ambientou praticamente eles no mesmo lugar e com os mesmos personagens, que são Jozef e sua família, sendo o herói um alter ego do escritor.
O livrão da Cosac tem dois livros do Schulz dentro dele: Lojas de Canela e Sanatório Sob o Signo da Clepsidra, e a principal diferença entre eles é a diferença de idade de Jozef, que no primeiro é criança e no segundo é adolescente. O primeiro conto de Schulz, Agosto, já mostra qual é a do livro: Schulz traduz o cotidiano em palavras de uma forma que te deixa chocado com o nível de beleza das sentenças.
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