O segundo livro do jornalista sobre a cidade de São Paulo é uma continuação do trabalho iniciado com A Capital da solidão, nele é coberto o período entre os anos de 1900 e 1954. Nesse período a industrialização da cidade se consolida e sua população multiplica-se por pouco mais do que nove vezes, um crescimento vertiginoso que inspira o título. Modelos de urbanização e desenvolvimento foram colocados na mesa conforme a cidade foi crescendo e as opções feitas irão atender a modelos estéticos e econômicos muitas vezes conflitantes. O autor descreve como a partir de um modelo de urbanismo e arquitetura europeus a cidade e aqueles responsáveis por suas decisões foram migrando para um modelo de desenvolvimento norte-americano que tinha no automóvel sua centralidade. Escolhas que vão pautar São Paulo até os dias de hoje como a opção pelas grandes avenidas em detrimento de um projeto de metrô, ou a construção dessas mesmas avenidas acompanhando o curso de antigos rios e córregos no fundo de vales, que hoje, bem sabemos, trouxe problemas como estrangulamento do trânsito e alagamentos. O zoneamento dos bairros e a evolução de cada um deles conforme a mancha urbana se expandia assim como o fenômeno da verticalização também são trazidos à tona.
Novamente, como no primeiro livro, reconhecemos vários marcos arquitetônicos e institucionais da nossa cidade e podemos acompanhar detalhes de sua concepção e de seus primeiros passos, MASP, MAM, Parque do Ibirapuera, TBC, USP, Conjunto Nacional, Avenida Paulista, Monumento às Bandeiras e muitos outros. Sobre os paulistanos o autor debruça-se sobre alguns dados demográficos que enriquecem sua análise, mas não o faz em profundidade. O livro é muito agradável, de uma leitura fluida e bastante prazerosa. Seu objeto de análise, no entanto, ou seja, seu recorte, é aquele dos grandes eventos e dos grandes nomes, quer seja da economia, da política ou das artes, passa ao largo a vida da maioria da população mais simples, que compõe quase que um plano de fundo para os acontecimentos. Há que se reconhecer, no entanto, que essa não é a proposta.