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    Navegue a lágrima

    Letícia Wierzchowski

    Intrínseca
    2015
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788580577440
    Português Brasileiro
    3.7
    398 avaliações
    Leram560Lendo22Querem505Relendo1Abandonos20Resenhas38
    Favoritos32Desejados505Avaliaram398

    Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo. Consumida pelo luto, a editora Heloísa escolhe se afastar da cidade onde morava e levar uma vida de isolamento na residência de veraneio que pertenceu à Laura Berman, uma escritora consagrada. Entre muitos drinques, cercada de pertences e memórias dos antigos moradores, Heloísa começa a ser visitada pelas lembranças guardadas entre aquelas quatro paredes: a correria de crianças, dias de sol preguiçosamente passados à beira da piscina, o romance terno de Laura e seu marido Leon. Se é delírio ou magia, a nova moradora não consegue distinguir. Aos poucos, enquanto revira baús, ela mergulha no universo conflituoso da escritora, descobre pequenas traições cotidianas e o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo nas relações mais sólidas. Essa compreensão permite que, lentamente, Heloísa consiga enfrentar seus próprios fantasmas e desvelar a história de uma grande paixão.

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    Resenhas (38)Ver mais
    Pedro Silva picture
    Pedro Silva13/08/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um lindo poema.

    O mais recente romance da Leticia Wierzchowski, traz a mesma sensibilidade contida em seu último livro, Sal, com uma escrita rica e tocante, personagens bem estruturados e de uma humanidade ímpar. Após uma perda, a editora Heloísa busca refúgio em uma casa na zona litorânea do Uruguai, que antes pertencera a uma escritora renomada chamada Laura Berman. Sozinha, Heloísa passa seus dias na presença do resto da mobília e pertences deixados pelos antigos moradores, contendo um pouco das memórias da família que ali residia. Entre um drinque e outro, como se abrisse uma faixa no tempo, Heloísa passa a ter visões dos antigos moradores na casa; tomando banho na piscina, conversando, as crianças correndo e brincando... não de forma assustadora, mas como se um projetor estivesse ligado e dando vida a essas lembranças. No meio disso tudo, editora e escritora terão suas vidas unidas por meio de recordações. Navegue à Lagrima é narrado em primeira pessoa pela personagem Heloísa, ela começa sua narrativa falando de sua obsessão por essa família, porém alerta que não foi ela quem começou a correr atrás e que precisa escrever essa história. Esta é uma obra rica nos pequenos detalhes que fazem toda a diferença e são neles que a personagem principal encontrará soluções para superar suas perdas e chegar ao conforto. Ela conversa com o leitor, dialoga e brinca na hora de contar sua história; um capítulo dedica a sua vida, enquanto no outro passa a atribuir à sua admirada autora Laura Berman. São poucos os diálogos contido na obra, mas que são compensados com muitas reflexões sobre o atual momento, a perda do esposo, o filho já adulto e tudo isso entrando em interseção com a família que na casa começa a transitar. A escrita da Letícia Wierzchowski é bem poética e floreada, com um léxico bem utilizados e que causa certa inveja aos escritores amadores. "Porque a felicidade – e essa história, creio, versa um pouco sobre isso, sobre um tempo especial da vida em que todas as coisas parecem perfeitamente encaixadas, unidas com graça, elevadas por uma simbiose perfeita -, bem, a felicidade é sutil, é discreta e delicada feito um beija-flor, esse passarinho que consegue a proeza de bater asas até oitenta vezes em um único segundo. Assim é a felicidade, essa transformadora dos dias, hábil artesã das coincidências." – Pág. 110 Temos duas histórias de amor: uma linda onde o Deus Pã colocou sua mão ajudando para que o tempo não conseguisse quebrar, que ultrapassou barreiras e que nos mostra o quanto é possível se esvair daquele amor, quase que completamente (senti-lo ir embora), mas mesmo com uma lacuna de décadas, voltar a ter a mesma chama que uniu o casal um dia. E a outra, que parece esquecida aos deuses, que tentou por duas vezes, mas que por uma doença, ou por falta do sentimento amor, não conseguiu se estruturar por muito tempo ou deixou apenas saudades e uma semente. Senti um certo tom de autobiografia em algumas nuances do romance, como a personagem Laura ser escritora, as circunstancias em que ela conhece o esposo Leon, a cor dos cabelos e a quantidade de filhos. Posso estar me equivocando no momento, mas esses detalhes me lembraram um pouco da vida da Letícia Wierzchowski. Não estou tirando mérito da autora, ao contrário, isso deixou o livro ainda mais especial. ♥ "Gosto de ler seus livros, gosto mesmo. Gosto de buscar, no meio da sua ficção, as pistas da vida real que as páginas escondem. Ora, sei perfeitamente bem, pois sou uma leitora voraz, que a literatura é a invenção, é criação, mas sempre há o pó da vida nos cantos da literatura, como pegadas, como marcas sutis da humanidade e do passo do autor." – Pág. 132 Mais uma vez a autora me surpreendeu e confirmou sua entrada no meu time de autores favoritos, me deixando instigado a ler todas a suas obras, independente de ser para crianças ou adultos. Gostei demais de poder navegar nas recordações das duas histórias e pude refletir sobre assuntos essenciais para a vida, como a convivência mútua.

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 398
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas3%
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    Letícia Wierzchowski

    Antes de se dedicar às letras, começou a cursar a faculdade de arquitetura, que não chegou a completar. Foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil de seu pai. Enquanto trabalhava neste último emprego, começou a escrever ficção. Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O anjo e o resto de nós, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul. A escritora gaúcha Martha Medeiros sugeriu a leitura do primeiro romance de Letícia a um amigo paulistano de naturalidade gaúcha e descendente, como Letícia, de poloneses. O publicitário Marcelo Pires gostou tanto do livro que enviou, em dezembro de 1998, um e-mail à autora e ambos passaram a se corresponder regularmente pela rede. Menos de um ano após a primeira mensagem, em 17 de setembro de 1999, Letícia e Marcelo casaram-se. Na cerimônia de casamento, o casal distribuiu aos convidados um pequeno livro com algumas das mensagens trocadas por eles. Um dos participantes da festa, o editor Ivan Pinheiro Machado, da LP&M, acreditou que o livro poderia fazer sucesso e lançou uma edição comercial. Nascia assim, em 1999, o livro Eu@teamo.com.br, que teve suas duas edições rapidamente esgotadas. O grande sucesso literário de Letícia viria com o romance A casa das sete mulheres, adaptado pela Rede Globo numa minissérie que foi ao ar em 2003 e reexibida em 2006. Instada por seus editores a escrever uma continuação da saga das sete mulheres gaúchas durante a Revolução Farroupilha, recusou-se de início, pois tinha outros projetos literários. No entanto, acabou cedendo às pressões e lançou Um farol no pampa, em que retoma a vida dos personagens d’A casa. Lançou em 2006 sua décima-primeira obra, Uma ponte para Terebin,em que narra a história de seu avô polonês. Ao mesmo tempo, trabalha, em parceria com Tabajara Ruas, no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de Érico Veríssimo.

    32 Livros
    298 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Letícia Wierzchowski