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    As pequenas virtudes

    Natalia Ginzburg

    Cosac Naify
    2015
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788540509108
    Português Brasileiro
    4.2
    757 avaliações
    Leram1075Lendo78Querem1259Relendo1Abandonos16Resenhas85
    Favoritos63Desejados1259Avaliaram757

    O livro reúne onze textos da italiana Natalia Ginzburg situados entre o ensaio e a autobiografia. Lançado em 1962, é considerado uma das grandes obras da escrita memorialística do século XX. Trata-se de uma prosa límpida, elegante, aliada ao vigor típico dos escritores que, ao falar das coisas mais prosaicas, desvelam as vivências mais profundas. Entre os escritos, está “Retrato de um amigo”, o mais belo perfil do poeta e amigo Cesare Pavese; em “As relações humanas” e “As pequenas virtudes”, a autora disseca todos os fios que conectam as gerações; sua experiência em tempos de guerra estão narradas em “Sapatos rotos” e “O filho do homem”; uma visão irônica e cômica da inóspita Londres aparece em “Elogio e lamento para a Inglaterra” e “La Maison Volpé”.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo28/07/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Sobre memória, intimidade e literatura

    Eu não sou fã de memórias, devo admitir. Acho que escrever sobre si mesmo sempre é uma opção menos atraente para qualquer um que deseja exercer o árduo ofício da escrita. Tenho a impressão que diminui o horizonte de uma reflexão. Creio, talvez ingenuamente, que o desconhecido parte sempre do outro e não de mim. Pois bem. Este foi o meu primeiro contato com o trabalho de Natalia Ginzburg. Conhecida por seus textos autobiográficos, esta autora italiana procurava entender as relações humanas, principalmente as relações familiares, a partir da própria vivência. Em “As pequenas virtudes” essa linha não é diferente. Nos onze textos dispostos aqui, divididos em duas partes, encontraremos muita tristeza, sofrimento e beleza. Há, obviamente, um excelente rigor técnico na escolha das palavras, que é inegável, além de muita intimidade, como é de se esperar neste tipo de escrita. Eu tenho predileção por ensaios que não tragam uma contaminação de intimidade de quem os escreve, mas aqui é impossível fugir dessa variável. Por isso vou me concentrar nos seguintes textos: “La Maison Volpé”, “Ele e eu”, “O meu ofício” e “Silêncio”. Nestas quatro peças, duas na primeira parte e duas na segunda, ficam os textos mais proveitosos do livro. Para saber mais sobre os outros ensaios, indico procurar por aqui nas resenhas os apontamentos sempre precisos do Jota. No curto “La Maison Volpé”, por exemplo, Natalia pincela seu olhar italiano sobre a cozinha britânica. Divertido e anacrônico - mas com um fundo de verdade que vai durar a eternidade -, o texto brinca com a questão do estrangeiro em outra cultura, sobre essa falta de pertencimento a um lugar que pode vir, como ela mostra muito bem, do nosso paladar. Já em “Ele e eu”, a escritora tenta se distanciar de si mesma para mostrar as diferenças e preferências de um casal italiano da década de 1960. Ao retratar Gabriele Baldini, seu segundo marido, sem nomeá-lo, Natalia pincela o machismo à italiana e faz ecoar as atitudes de personagens masculinos de uma certa tetralogia napolitana. No terceiro destaque, “O meu ofício”, Natalia reflete com brilhantismo sobre o papel de escrever. Altamente confessional, o texto aborda com sobriedade a importância de buscar ser autêntico e avisa que não devemos “ludibriar com palavras que não existem em nós” sempre que pensarmos no ato da escrita. Por último, o excelente “Silêncio” traz a necessidade de contemplar essa qualidade cada vez mais escassa em nosso mundo globalizado e de velocidade desenfreada. A ausência de som, refletirá Natalia, é a conservação de “um pecado comum”, e portanto é uma qualidade que nos aproxima. Para uma apresentação, o livro é bom. Nenhum dos onze textos são descartáveis, longe disso. A maioria deles apenas não conversou comigo e isso pode acontecer com qualquer leitor. Mas não vou dizer que a Natalia entrou com preferência na minha lista de leituras. Quem sabe em outro momento, quando o tempo não parecer escasso? Um dia volto a ler ela.

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    4.2 / 757
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    • 2 estrelas3%
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    Natalia Levi profile picture

    Natalia Levi

    Natalia Levi Ginzburg nasceu em Palermo, em 1916. Pertenceu a um grupo intelectual da maior expressão da literatura e crítica italiana, do qual fazia parte Cesare Pavese, Italo Calvino, Elio Vittorini, Giulio Einaudi e Eugenio Montale. Seu primeiro marido, Leone Ginzburg, foi morto numa prisão romana em 1944. Um dos filhos do casal é o renomado historiador Carlo Ginzburg, conhecido pela obra O queijo e os vermes (1976) e autor da introdução feita especialmente para a edição brasileira do livro Piero della Francesca, de Roberto Longhi, publicado pela Cosac Naify, em 2007. Natalia casou-se depois com o crítico literário Gabriele Baldini. Integrou o Partido Comunista, foi ativista política e deputada. Escritora notável, obteve grande reconhecimento na Itália e no exterior, tendo sido traduzid

    34 Livros
    72 Seguidores
    Sicília, Itália

    Natalia Levi