Jorge Luis Borges mergulha na metafísica, um assunto que parece se desmanchar em mãos menos prudentes, e vai buscar as teorias da eternidade desde o começo da História, destrinchando uma por uma, inclusive a do Eterno Retorno de Nietszche, a qual considera a mais absurda. Há também, no pseudo-ensaio "A Aproximação a Almotásim", uma certa forma de eternidade, onde um indivíduo procura indefinidamente um reflexo de personalidade que julga ter visto em outra pessoa - tarefa que seria possível considerar infinita.
No campo da linguagem, o autor trata de justificar o porquê de as metáforas serem inúteis, ou desnecessárias, principalmente na literatura arcaica nórdica; faz uma análise dos tropeços esdrúxulos das traduções de "As Mil e Uma Noites"; e ainda tem a manha de redigir ao final do livro, um ensaio de certa forma cômico, sobre formas de se insultar("A arte de Injuriar") alguém de um jeito inteligente e certeiro.
Ninguém melhor para analisar as linguagens metafóricas arcaicas, assim como as várias traduções de "As Mil e Uma Noites", do que o homem que brinca com a língua como se fosse Lego. E, sem dúvida, ninguém melhor do que um homem que cria realidades eternas em seus contos, para criticar a história das teorias da eternidade. Um livro que causa estranhamento por ser de ensaios, não de contos como a maioria do autor, mas que nem por isso deixa de ser fantástico.