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    O Cânone Ocidental - Os grandes livros e os escritores essenciais de todos os tempos

    Harold Bloom

    Temas e Debates
    2011
    592 páginas
    19h 44m
    ISBN-13: 9789896441364
    Português
    4.8
    3 avaliações
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    «Neste ponto tardio da história, que deve ler o indivíduo que pretende ler?» O Cânone Ocidental é muito mais do que uma lista de obras que devemos ler - podemos descrevê-lo como uma visão. Combinando erudição com paixão, o autor defende uma cultura escrita unificadora, opõe-se com firmeza à politização da literatura e propõe-nos um guia para os grandes livros e os escritores essenciais de todos os tempos. Uma obra indispensável para redescobrir as alegrias e riquezas que a leitura dos «melhores dos melhores autores» nos pode proporcionar.

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    A. Brito picture
    A. Brito11/01/2022Resenhou um livro
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    Harold Bloom - O Cânome Ocidental

    Se me fosse pedida uma frase síntese sobre este livro diria, não uma, mas duas. Um livro com qualidades. Um livro a que dá gosto voltar. Esta segunda, como é óbvio, está inevitavelmente ligada à primeira. São muitas as suas qualidades, desde logo a liberdade de exposição, o ataque ao que não aprecia de forma séria e rotunda, a ideia da desigualdade de valor entre escritores, a defesa do fenómeno do estranhamento como forma de se sentir que se está perante um grande obra, a sua perspectiva sobre a influência de Shakespeare, a enorme erudição e o contacto profundo com as obras. Estas qualidades de raiz perpassam como seiva por todo o livro e são a alegria por onde o pensamento respira. Outro dos seus conceitos interessantes é o de ansiedade da influência, conceito complexo que não vou definir porque seria tarefa inglória e arriscava-me a dizer disparates - posso dizer que é um conceito central deste autor, é muitíssimo abrangente e apresenta várias faces, desde a mais óbvia – a grandeza de um autor que se estende pelo tempo adentro em relação aos autores seguintes que se formam à sombra desse autor e que, inevitavelmente, necessitam para se construir de distanciamento. Mas esta é apenas uma das dimensões do conceito ansiedade de influência que me parece tem uma profundidade intelectual e até emocional que ultrapassa muito isto que disse. De qualquer modo, creio que é impossível os grandes escritores não se medirem com os grandes escritores anteriores, até para se refazerem de outro modo, o que nunca esconde a influência desses outros autores, mesmo quando os escritores mais recentes fazem desabrochar de outra forma essas influências. Enfim, qualquer autor tem que travar as suas lutas para se construir como autor. Bloom analisa vinte seis autores absolutamente canónicos, segundo ele, da literatura de sempre. Eu não li o livro de seguida, há uns meses atrás tinha lido uma parte, vi-me obrigado a parar, e agora voltei e aproveitei, não só para ler o que me faltava, como para reler alguns autores, e voltei a sentir o mesmo agrado pela erudição, fluência da escrita e análises apresentadas. E aqui faz sentido a segunda frase com que iniciei a minha resenha, não é um livro fácil, nem em quantidade nem em qualidade, pelo que ler e reler é agradável, estimulante e torna-se quase necessário, diria indispensável. Depois, claro, são quarenta anos de leituras, de pensamento, de analise e de escrita de Bloom sobre estes autores e suas obras. Este livro grande é pequeno para a qualidade dos autores escolhidos e para o que poderia ainda ser dito, e isso também faz deste um grande livro. Quanto à sua análise, é coerente com as suas ideias, explicita e relaciona autores de uma forma genial, é profundo e enriquecedor, no entanto, creio que talvez exista, por vezes, uma certa redução da obra dos autores de modo a poder acertar a sua teoria de ansiedade de influência influencia com a obra estudada. Por exemplo, diz de Pessoa que “Pessoa (…) é Whitman renascido, mas um Whitman que dá nomes separados a «o meu eu», «o eu verdadeiro» ou «eu, eu mesmo», e «a minha alma», e escreve maravilhosos livros de poemas para os três, assim como um volume à parte com o nome de Walt Whitman." Não sei se Pessoa será só isto. Bloom também não diz que é só isto, mas analisa-o fortemente deste modo. Eu diria que há mais Pessoa em Pessoa. Talvez até haja mais Pessoa que alguma vez em algum Whitman sob certos aspectos, mas isso é, evidentemente, discutível. É interessante conhecer as perspectivas e análises deste autor e até confrontar com outras perspectivas e com as nossas leituras sobre as obras em questão. Vale a pena. Um grande livro para ler, reler e confrontar.

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    4.8 / 3
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    Harold Bloom profile picture

    Harold Bloom

    Harold Bloom foi um professor e crítico literário estadunidense. Ele ficou conhecido como um humanista porque sempre defendeu os poetas românticos do século XIX, mesmo num tempo em que suas reputações eram muito baixas. Bloom é autor de diversas teorias controversas sobre a influência da literatura além de um defensor ferrenho da literatura formalista (a arte pela arte), em oposição a visões marxistas, historicistas, pós-modernas, entre outras. Em Contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades, coletânea de contos organizada por Bloom e editada em português, Bloom afirma que foi um menino bastante solitário apesar de rodeado por familiares carinhosos, e continua solitário depois de uma vida inteira dedicada ao ensino, à leitura e à escrita. "Mas teria estado bem mais isolado se poemas e histórias não tivessem me alimentado, e se não continuassem a me incentivar", completa. Bloom é um dos grandes impulsionadores contemporâneos do conceito de Cânone Ocidental. Shakespeariano, um dos grandes defensores da chamada "bardolatria", escreveu Shakespeare - A Invenção do Humano e Hamlet - Poema Ilimitado, dois grandes ensaios sobre o bardo. Terry Eagleton, teórico da literatura, afirma que "a teoria literária de Bloom representa uma volta apaixonada e desafiadora à ‘tradição’ romântico protestante". Para ele "a crítica de Bloom revela com clareza o dilema do liberal moderno, ou humanista romântico, o fato que não é possível uma reversão a uma fé humana otimista, serena, depois de Marx, Freud e do pós-estruturalismo, mas que por outro lado qualquer humanismo, como o de Bloom, tenha sofrido as pressões agônicas dessas doutrinas". Lecionou durante muitos anos as disciplinas de humanidades na Yale University e inglês na New York University. Morreu em 2019.

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    Nova Iorque, Estados Unidos

    Harold Bloom