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    Deu No New York Times

    Larry Rohter, ANTONIO MACHADO, OTACILIO NUNES, DANIEL ESTILL, SAULO ADRIANO

    Editora Objetiva
    2015
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788573029277
    3.4
    15 avaliações
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    O jornalista americano Larry Rohter trabalhou como correspondente do New York Times no Brasil entre 1999 e 2007. 'Deu no New York Times' é fruto das experiências vividas por Rohter, durante esses anos todos. O livro reúne textos nos quais ele analisa o país, tratando de política, cultura, meio ambiente e raça, entre outros temas. Além disso, o autor revela os bastidores da tentativa, por parte do governo Lula, de expulsá-lo do país. 'Deu no New York Times' traz ainda algumas das suas reportagens sobre o Brasil e os brasileiros - e comentários sobre elas - feitas para o jornal americano.

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    Michael Nascimento08/05/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Brasil para gringo ver

    O Brasil na virada do milênio visto pelos olhos de um correspondente de um jornal americano. 'Deu no New York Times' reúne, em pouco mais de 400 páginas, matérias, relatos, reportagens e comentários de Larry Rohter sobre o Brasil em uma ampla gama de aspectos da sociedade brasileira. Desde a óbvia política, passando por assuntos mais corriqueiros e outros curiosos que só um olhar estrangeiro poderia observar. Nesse último quesito estão os textos mais interessantes onde Rohter escreve sobre a cultura e a sociedade brasileiras. Interessante perceber como aqui o americano dedica boas páginas para a literatura do cordel junto aos outros gêneros mainstream (música, cinema, literatura e teatro). Na parte social, em seus relatos pessoais, percebemos o quanto deve ser difícil para um gringo se habituar ao nosso modo de viver e nossas (nada simples) convenções sociais. Chegando à seção de política nacional, temos os textos mais problemáticos do jornalista na minha opinião. Larry Rohter teve algumas rusgas com o presidente Lula a partir de suas publicações. Se algumas reações do governo federal sob a direção do petista são notavelmente desmedidas (e um tanto quanto desnecessárias), não temos como deixar de perceber como algumas opiniões de Rohter debandam para a crítica pura e simples. Parece até birra. Especialmente se comparadas com outros textos que ele escreveu durante o governo FHC. A boa-vontade dele para com este em relação aquele outro é notória. Na política internacional, fica fácil observar como o Brasil não é uma ilha isolada em meio ao mar que é a geopolítica. E os relatos de Rohter realmente nos fazem abrir os olhos a respeito de uma peculiaridade do Brasil que é difícil de explicar: o país sempre esteve resignado ou até mesmo acomodado em assumir uma posição inferior àquela que se esperaria para uma nação do seu porte. Na geopolítica, parece que estamos sempre satisfeitos em atuar de forma coadjuvante e nunca assumir uma posição de liderança ou de destaque até entre os nossos vizinhos mais próximos da América Latina. Quando o Brasil torna-se referência em alguma área (aviação comercial, genômica ou cultivo em terras tropicais) parece ser sempre obra do acaso, da sorte. Assim como nas matérias sobre a região nordeste, o interesse de Larry Rohter mostra-se bastante genuíno também para a Amazônia. Além de evidenciar isso abrindo espaço em inúmeros de seus trabalhos para o assunto, ele oferece um olhar peculiar sobre a região fugindo da abordagem óbvia que muitos jornalistas brasileiros tendem a fazer e com observações sempre pertinentes e interessantes. A escolha dessa leitura foi meio repentina e acabou furando a ordem da fila de minhas leituras atuais. Optei pelo livro para fugir um pouco desse Brasil louco que vivemos e lembrar um pouco do país em uma outra época em que as coisas eram mais felizes (ou menos tristes, dependendo do ponto de vista). Surtiu efeito. Aprendi algumas coisas, descobri outras interessantes e passei um pouco de raiva também - mas em proporções infinitamente menores. Agora só me resta esperar loucamente que 2022 passe como um raio e que em 2023 o Brasil pare, finalmente, com sua queda livre. Algo que estamos fazendo desde o final de 2018.

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