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    Amor e lixo -

    Ivan Klíma

    Bestbolso
    1986
    278 páginas
    9h 16m
    ISBN-13: 9788577990153
    Português Brasileiro
    3.3
    59 avaliações
    Leram106Lendo8Querem130Relendo1Abandonos10Resenhas6
    Favoritos6Desejados130Avaliaram59

    Sobrevivente de um campo de concentração nazista, o autor tcheco Ivan Klíma viveu a repressão comunista e sua obra esteve proibida na Tchecoslováquia durante vinte anos. Este romance revela o talento, a sensibilidade e o estilo impecável de Klíma, que inspirado em sua própria experiência narra a história de um escritor que se emprega como gari em Praga depois de ter seus originais sistematicamente rejeitados pelas editoras. O serviço de varrer ruas pode ser aviltante para alguns, repetitivo, mas tem suas compensações: a irreverência e a excentricidade de seus colegas. E uma nova perspectiva a partir da qual possa encarar a sociedade que lhe nega o direito de seguir sua verdadeira vocação. As recordações da infância do personagem pontuam este livro, que tem no amor o verdadeiro fio condutor da narrativa. E no lixo uma alegoria perfeita para o processo de aniquilamento da alma sob um regime opressor. “Poucos escritores têm a habilidade de discorrer sobre assuntos sublimes e mundanos em uma mesma obra e com tanta cadência.” – Observer “Esta história envolvente vale a aclamação em torno do autor.” – Publishers Weekly “Uma linda canção sobre temas cotidianos.” – Time Out

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    Resenhas (6)Ver mais
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    jota 1115/03/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    ÓTIMO: meio complicado de ler; são histórias fragmentadas que vão e voltam, mas que valem a pena conhecermos; poesia e prosa entornada no chão...

    Quando penso em literatura tcheca, sempre me vem à memória os livros de Franz Kafka (A Metamorfose, especialmente) e Milan Kundera (A Insustentável Leveza do Ser, idem), dois autores notáveis que são mencionados várias vezes na longa entrevista que Ivan Klíma (nascido em 1931) deu para Philip Roth em 1990, Conversa em Praga com Ivan Klíma, presente nas páginas finais deste volume. Kafka é um escritor admirado por outros escritores e tanto Klíma quanto Roth já o reverenciaram em suas obras, então falam bastante dele nessa entrevista. Em Amor e Lixo o autor de A Metamorfose é quase um personagem tão destacado quanto o escritor anônimo que se vê transformado não em um besouro ou numa barata, mas num varredor de ruas por conta do estado policialesco instalado na então Tchecoslováquia entre 1968 a 1989. A população era controlada e oprimida pela União Soviética, o que não deixava de ser uma situação kafkaniana para qualquer escritor sensato, não bajulador do regime, e ainda mais pelo modo como Amor e Lixo foi escrito. O próprio Klíma reconhece que o livro é uma bagunça, melhor, nas suas próprias palavras, ”é uma espécie de colagem de vários temas ou histórias fragmentadas. Lembro-me de que, quando passei o livro, ainda em manuscrito, a meus amigos, indaguei se não se importavam com essa bagunça, mas concluí que não, aceitaram o romance como um todo.” O pensamento do personagem ora está consigo mesmo, ora com Kafka e a literatura, com a mulher ou com a amante, com os colegas de varreção, com o pai, com seu filho, com a situação do país, etc. Uma palavra que o leitor vai encontrar o tempo todo durante a leitura é “jerkish”, ou “imbecilês”, que Roth informa que “(...) é o nome da língua criada nos Estados Unidos há alguns anos para a comunicação entre pessoas e chimpanzés; ela consiste em 225 palavras, e o protagonista de Klíma prevê que, depois do que aconteceu com seu próprio idioma sob o regime comunista, não vai demorar para que o imbecilês seja falado por toda a humanidade.” Na televisão, na internet, especialmente nos vídeos do YouTube, é possível encontrar muita gente falando “jerkish” faz tempo, não? Daí que é preciso, cada vez mais, lermos boa literatura. Bem, como apontou alguém, pela situação que vivem, tanto o escritor transformado pelo Estado em gari quanto seus colegas de trabalho, todos eles dividem um sentimento que é na verdade o desejo de fugir da realidade, elevar-se acima dela. Desejo esse que materialmente é impossível de se realizar na condição em que se encontram, o que cria então um dilema pessoal que Klíma transformou aqui numa historia original. Que ao mesmo tempo é coletiva, pois poderia se dar com qualquer um vivendo sob um regime opressor como a URSS impunha aos países satélites. E agora (o filho da) Putin parece querer trazer de volta esse pesadelo do passado, começando pela Ucrânia. Numa dessas suas fugas, de seus (muitos) devaneios, o escritor-gari tcheco relembra um poema do francês Jacques Prévert (1900-1977), Parfois Le Balayeur, ou Às vezes o varredor, que diz um tanto sobre sua condição; com ele encerro meus comentários: E pode acontecer a um varredor que acena sem esperança pra cá e pra lá com a vassoura suja entre ruínas poeirentas de uma exposição colonial vil pare maravilhado diante de estátuas extraordinárias de folhas e flores secas que representam o que certamente não é um sonho crimes celebrações raios e risos e de novo desejo árvores [e pássaros e também a lua o amor o sol e a morte… Lido entre 26 de fevereiro e 14 de março de 2024.

    6 curtidas

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    Avaliações

    3.3 / 59
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas12%
    Ivan Klíma profile picture

    Ivan Klíma

    Nascido em Praga, em 1931, e criado como protestante, Ivan Klíma descobriu que era judeu somente quando os nazistas invadiram a antiga Tchecoslováquia durante a Segunda Guerra Mundial e aprisionaram sua família em um campo de concentração por quase quatro anos. A experiência no campo de concentração o marcou intensamente e é sensível em sua obra, ao mesmo tempo política e pessoal. Formado em Letras, foi editor de um jornal de prestígio, mas seu texto, considerado radical e dissidente em 1969, fez com que ele perdesse o emprego e sua obra fosse proibida por vinte anos no seu país. Em 2002, recebeu o Prêmio Literário Franz Kafka, oferecido anualmente pela República Tcheca ao escritor considerado o melhor em todo o mundo. Seu estilo é marcado por narrativas kafkianas sobre temas de religião, justiça social e luta política, entrelaçados com vulnerabilidade erótica.

    5 Livros
    4 Seguidores

    Ivan Klíma