Os Inícios da filosofia: Grécia (Coleção Sabedoria Antiga)

    Maria Michela SASSI

    Loyola
    2015
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788515042180
    Português Brasileiro

    A autora trata o pensamento pré-socrático em toda a sua variedade, porque muitas são as direções que percorreu e que foram sacrificadas pela filosofia sucessiva, especialmente após a delimitação aristotélica de um preciso território de competência da razão filosófica. Com grande domínio da matéria, a autora consegue escrever uma história não excessivamente marcada pelo olhar retrospectivo, mas "perspectivo", isto é, uma história reconstruída com a intenção de, na medida do possível, colocar-se na pele de seus protagonistas, que sabiam de onde partiam e também conheciam as novas vias que queriam abrir, sem poderem prever os desvios, os desafios e os obstáculos que outros haveriam de pôr ao longo do caminho.

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    Túlio Oliveira28/06/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Denso, acadêmico, mas recompensador!

    Como já deixei claro no título, vale dizer antes de mais nada que essa obra não é uma leitura para iniciantes. A autora se utiliza diversas vezes de uma interpretação de vocábulos advindos diretamente do grego, o que, naturalmente, enriquece a leitura, mas ao mesmo tempo a torna mais erudita e complexa. Suponho que seja algo mais adequado para estudantes de filosofia, e, ou, curiosos (como eu!) que tenham muita força de vontade para ir até o fim. Dito isso, aos trancos e barrancos aprendi um bocado de coisas que, sinceramente, ainda não tinha compreendido lendo outros "manuais introdutórios" de filosofia. A autora começa enfrentando uma das grandes perguntas da historiografia da filosofia: a Filosofia surgiu por oposição ao mito ou a partir dele? Maria Michela Sassi refuta com elegância a ideia de uma ruptura brusca e defende, com base em fontes e estudos modernos, que o pensamento filosófico não emergiu como negação do mito, mas como desdobramento e transformação interna da tradição mítica. Além disso, a autora desmonta o mito do “milagre grego”: a filosofia, segundo ela, não é um produto espontâneo e puramente helênico, mas o resultado de interações com culturas como a egípcia, fenícia e persa. Essa visão descoloniza a narrativa tradicional e nos lembra do quanto a sabedoria circulava entre os povos. Destaco a clareza como a autora me fez compreender a importância de textos fundamentais como Hesíodo e sua Teogonia, Homero com sua Ilíada, e Heráclito e seus respectivos fragmentos. Foi muito enriquecedor. O posfácio da obra é muito bom, e para quem mantém estudos em áreas correlatas é interessante perceber como a própria autora, ao lado de outros estudiosos, se posiciona pela oposição ao termo "pré-socrático" em virtude de esse período histórico ser muito mais heterogêneo e multifacetado do que normalmente se supõe. Além de, é claro, essa classificação ser simplista e reducionista por si só. Vale muito a leitura! As vezes complexa, densa, desafiadora, mas de fato, enriquecedora!

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