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    Assim começa o mal -

    Javier Marías

    Companhia das Letras
    2015
    520 páginas
    17h 20m
    ISBN-13: 9788535926361
    Português Brasileiro
    4.3
    124 avaliações
    Leram162Lendo16Querem439Relendo0Abandonos7Resenhas10
    Favoritos17Desejados439Avaliaram124

    Do autor de Os enamoramentos, um romance arrebatador e inesquecível sobre o desejo, o rancor e o perdão. Assim começa o mal conta muitos anos depois uma história íntima, narrada por uma jovem testemunha. Na Madri pós-ditatura franquista do início dos anos 1980, quando a capital espanhola fervia num frenesi de hedonismo e liberdade, Juan de Vere, vinte e três anos e recém-formado, é contratado como secretário particular de Eduardo Muriel, um cineasta bem-sucedido. Graças à sua função, De Vere se insere na privacidade da casa da família, convertendo-se num espectador da união misteriosa e bastante infeliz entre Muriel e sua esposa Beatriz Noguera. Muriel o encarrega de investigar um amigo, o dr. Jorge Van Vechten, cujo comportamento indecente no passado foi motivo de rumores. Figura enigmática e um tanto repulsiva, Van Vechten - um pediatra com uma carreira de sucesso desde a aurora do regime do general Francisco Franco - passa a acompanhar o jovem De Vere em suas excessivas noitadas. Era então o auge da chamada Movida Madrileña, o caldeirão de boemia, drogas, liberalidade sexual e cultura alternativa que tomou conta da cidade assim que a Espanha voltou a respirar os ares da democracia. Mas o jovem não se limita a observar, e passa então a tomar iniciativas questionáveis, com profundas repercussões na vida de todos os envolvidos. Sua atitude irá lhe mostrar, no balanço evocado com o tempo, que não há justiça desinteressada e que tudo - seja o perdão ou o castigo - nasce a partir de decisões arbitrárias. Tendo como título um verso da tragédia shakespeariana Hamlet, o romance de Javier Marías apresenta um olhar arrebatador e inesquecível sobre o desejo e o rancor. "Javier Marías é um escritor maravilhoso." - John Banville "Um dos maiores escritores vivos." - Claudio Magris "Um dos melhores escritores europeus contemporâneos." - J.M. Coetzee

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    Resenhas (10)Ver mais
    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo12/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O cinema literário

    A leitura de um livro de Javier Marías dificilmente será perda de tempo. Este espanhol que, para meu gosto, é um dos maiores escritores vivos, sabe como fazer literatura. Alta literatura, é preciso frisar. Claro que isso pode implicar em algumas dificuldades para um ou outro leitor, mas nada que preocupe, basta ter paciência - e paciência é uma exigência da qual o autor não abre mão. Em “Assim começa o mal”, no entanto, a sensação de prazer indescritível em ler Marías não se repetiu conforme eu esperava. Aqui aparecem, mais uma vez, as clássicas obsessões do espanhol como o peso do segredo, a impossibilidade de conhecer verdadeiramente os outros e a si mesmo, as digressões filosóficas sobre as relações a dois e, como não poderia faltar, uma trama cinematográfica. E é neste último ponto que pretendo analisar o romance. O cinema aqui tem propositadamente um peso maior em relação aos seus outros dois livros que li, o memorável “Coração tão branco” e o ótimo “Os enamoramentos”, mas é um peso que talvez a obra não tenha conseguido sustentar sozinha. Explico na sequência. Pretensos cinéfilos como eu vão encontrar em “Assim começa o mal” demasiados ecos de Hitchcock e Almodóvar - o que está longe de ser ruim, é preciso dizer, mas atrapalham a experiência. Talvez se você que lê este singelo texto já assistiu a “Um corpo que cai” do mestre do suspense e “Tudo sobre minha mãe” da estrela espanhola irá entender melhor o que digo quando ler o livro, do contrário, ignore esta frase. No livro, Juan de Vere, nosso protagonista, passa, conta e pensa sobre situações que em muito se assemelham às narrativas das películas citadas, ainda que em seu cerne ofereça particularidades interessantes, como o panorama político e social da Espanha pós-ditadura franquista, tema tratado com muita lucidez e que não havia sido abordado com maior profundidade nos outros livros que eu conhecia. As altas expectativas podem nos agarrar de tal maneira que, às vezes, podem se tornar difíceis de se desvencilhar. Talvez esse tenha sido o meu caso. Para um livro de 520 páginas o resultado final, apesar de satisfatório, foi um pouco enfadonho, pois a mesmíssima história poderia ter sido contada em tranquilas trezentas e poucas páginas. Nem mesmo as referências aos grandes diretores e à Shakespeare, que dá o título do livro, ou ainda a eletrizante parte final elevaram a experiência. Paradoxalmente, “Assim começa o mal” é um dos livros mais acessíveis de Marías, devido à busca pela concisão de suas digressões e pela opção de capítulos curtos não numerados. Apesar disso, sigo acreditando que “Coração tão branco” é a grande obra para ganhar novos leitores. Para fãs do autor, é uma obra menor na prateleira. Para quem pretende desbravar o eterno candidato ao Nobel de Literatura, talvez seja uma boa pedida para fugir do estilo padronizado das narrativas atuais e melhor ainda se quem estiver lendo não conhecer nada ou muito pouco das obras de Hitchcock ou de Almodóvar, pois ao chegar na última página é provável que tenha vontade de voltar à primeira, agora com a nova perspectiva adquirida com o que acabou de ler.

    71 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 124
    • 5 estrelas41%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Javier Marías Franco profile picture

    Javier Marías Franco

    Escritor, tradutor e editor espanhol. Nasceu em Madrid em 20 de setembro de 1951 e faleceu em 11 de setembro de 2022 devido a uma pneumonia bilateral em decorrência da covid-19. Considerado o principal escritor espanhol da segunda metade do século XX e início do século XXI, ocupava a cadeira R da Real Academia Española (RAE) desde 2008. Formado em Filosofia e Letras, com especialização em Filologia Inglesa, pela Universidade Complutense de Madrid, foi professor de Literatura Espanhola e Teoria da Tradução na Universidade de Oxford (1983-1985), no Wellesley College de Massachusetts (1984) e na Universidade Complutense de Madrid (1986-1990). É autor de contos, ensaios, crônicas e 16 romances, entre eles "Coração tão branco" (1992), "Amanhã, na batalha, pensa em mim" (1994), "Seu rosto amanhã" (2002-2007), "Os enamoramentos" (2011), "Assim começa o mal" (2014), "Berta Isla" (2017) e "Tomás Nevinson" (2021). Era Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras da França.

    88 Livros
    59 Seguidores

    Javier Marías Franco