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    A teus pés -

    Ana Cristina Cesar

    Ática
    1999
    150 páginas
    5h 0m
    ISBN-10: 8508069839
    Português Brasileiro
    3.8
    931 avaliações
    Leram1577Lendo74Querem666Relendo5Abandonos23Resenhas71
    Favoritos91Desejados666Avaliaram931

    A obra revela o olhar de uma escritora que se colocou na vanguarda de seu tempo e marcou definitivamente a moderna poesia brasileira. Textos curtos, poemas fragmentados, cartas, páginas de diário criam um jogo com o qual a poeta brinca e celebra a vida. Ana Cristina Cesar quebra regras, ousa além da frase, mistura sombra e luz, não hesita em se apropriar da fragmentação do mundo para, em seguida, recriar a seu modo imagens que sensibilizam o leitor.

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    Meu nome é nuvem  picture
    Meu nome é nuvem 10/12/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Para além da poesia marginal; aqui não há urgências.

    "Por aquelas escadas subiu feito uma diva. Nervosa, irônica, crispada, inteligentíssima. Atenta demais, quem sabe?" [Descrição por Caio Fernando Abreu sobre Ana C.Cesar] Ana Cristina César nasceu em 2 de junho de 1952, Rio de Janeiro. Tradutora, fez letras e também escreveu para revistas e jornais alternativos. Lançou seus primeiros livros em edições caseiras e independentes: "Cena de abril" (publicado em 1979) junto com "Correspondência completa". Este foi o meu primeiro contato com a escrita de Ana Cristina César e esse primeiro contato, foi significativo, desconcertante, nem sempre compreensível em alguns momentos, admito. Então, a forma estética desse livro é totalmente fora da curva, não há diferença entre prosa e poesia; misturam-se. Aqui temos uma escrita diferente, quebradiça, profunda, autobiográfica e nada convencional. Não é atoa que este seja um livro muito importante para a literatura brasileira assim como a ilustre poetisa Ana Cristina César. Alguns críticos quanto autores, comentam e assemelham a Ana C.C. como uma figura de peso na classificação literatura/poesia "marginal", ou seja, aquilo que tá "a margem" do que esteja estabelecido em um âmbito social-literário. Um breve exemplo e grande nome desse movimento é o próprio Paulo Leminski. (*)A Poesia Marginal, ou Geração Mimeógrafo, foi um movimento poético brasileiro dos anos 1970, surgido na ditadura militar, caracterizado pela produção e distribuição independente (mimeógrafos, panfletos) fora das editoras tradicionais, usando linguagem coloquial, urbana, humor e coloquialidade.* Em síntese, há uma certa urgência na poesia marginal em relação a produção e o foco total em um conteúdo objetivo, oral e espontâneo. A famosa distribuição e panfletagem. Em " A Teus Pés " não existe urgências, a escrita da autora é de uma certa forma requintada, diversas vezes guardadas no fundo da gaveta, revisitadas incansavelmente, trabalhadas e editadas. A própria Ana C.C. comentou que há referências e até fragmentos espelhados de outros poetas em sua obra: " fico pensando se não roubei demais ", diz a autora no final. Temas que aborda o cotidiano urbano com o foco em cenas externas, esquinas, cidades e cômodos vazios; uma sucessão de imagens, cenas embaladas de um expressão intimista e imersa em uma potência poética por vezes, melancólica. " O salto da poesia para a morte." Ano de 1983, aos 31 anos, Ana Cristina Cesar cometera suicídio atirando-se do sétimo andar do apartamento dos pais, em Copacabana; Rio de Janeiro. Um anos após a publicação do livro, precipita-se o voo impulsivo e encontro eterno sobre "A Teus Pés". Seu último livro publicado, hoje em dia, consagrado, onde a prosa poética e cartas póstumas a tua morte drástica, fazem jus a sua inteligência e criatividade aguda. Ana Cristina Cesar, Poética – Sábado de aleluia [fragmento] "Escuta, Judas. Antes que você parta pro teu baile. A morte nos absorve inteiramente. Tudo é aconchego árido. Cheiro eterno de Proderm. Mesa posta, e as garras da vontade. A gana de procurar um por um e pronunciar o escândalo. Falar sem ser ouvida. Desfraldar pendengas: te desejo. Indiferença fanática ao ainda não. Desde que voltei tenho sobressaltos ao ouvir tua voz ao telefone. Incertas. Às vezes me despeço com brutalidade." É uma leitura muito intensa e íntima, como se tivéssemos lendo um diário, fragmentos de memórias e impressões recortadas e diversas. Amo poesia mas esse livro foi um desafio. Recomendo fortemente a leitura.

    93 curtidas

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    3.8 / 931
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas4%
    Ana Cristina Cruz Cesar profile picture

    Ana Cristina Cruz Cesar

    Ana Cristina Cesar, ou Ana C., como era conhecida, nasceu no Rio de Janeiro. Após 1968, passou um ano em Londres, fez algumas viagens pelos arredores e, na volta, deu aulas, traduziu, fez letras, escreveu para revistas e jornais alternativos e saiu na antologia <i>26 Poetas Hoje</i>, de Heloísa Buarque. Publicou, pela Funarte, pesquisa sobre literatura e cinema, fez mestrado em comunicação, lançou seus primeiros livros em edições independentes: <i>Cenas de Abril</i> e <i>Correspondência Completa</i>. Dez anos depois voltou à Inglaterra, graduou-se em tradução literária, escreveu muitas cartas e editou <i>Luvas de Pelica</i>. Trabalhou em jornalismo, televisão e escreveu <i>A Teus Pés</i>. Suicidou-se aos 31 anos.

    19 Livros
    205 Seguidores
    RJ, Brasil

    Ana Cristina Cruz Cesar