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    Grande sertão: Veredas (Coleção Guimarães Rosa) -

    João Guimarães Rosa

    Nova Fronteira
    2015
    496 páginas
    16h 32m
    ISBN-13: 9788520922675
    Português Brasileiro
    4.6
    10748 avaliações
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    A Nova Fronteira traz ao público esta nova edição em capa dura de Grande sertão: veredas. Livro fundamental na literatura brasileira, o romance João Guimarães Rosa, publicado em 1956, foi escolhido pela Folha de São Paulo, pela Revista Época e por várias associações internacionais como um dos 100 maiores livros da literatura universal do século XX. Nesta obra de Guimarães Rosa, o sertão é visto e vivido de uma maneira subjetiva e profunda, e não apenas como uma paisagem a ser descrita, ou como uma série de costumes que parecem pitorescos. Sua visão resulta de um processo de integração total entre o autor e a temática, e dessa integração a linguagem é o reflexo principal. Para contar o sertão, Guimarães Rosa utiliza-se do idioma do próprio sertão, falado por Riobaldo em sua extensa e perturbadora narrativa. Encontramos em ´Grande Sertão-Veredas´ dimensões universais da condição humana - o amor, a morte, o sofrimento, o ódio, a alegria - retratadas através das lembranças do jagunço em suas aventuras no sertão mítico, e de seu amor impossível por Diadorim.

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    Fran Kotipelto picture
    Fran Kotipelto19/05/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "o destino guardou essa maravilha pra você"

    Todo mundo costuma se atrasar pelo menos alguns minutos em suas atividades, principalmente quando as mesmas são: trabalho e estudo. E comigo não poderia ser diferente, e exatos "7 minutos" de atraso me fizeram estar aqui, fazendo uma resenha sobre esse livro que pra mim sempre foi um grande clássico que nunca tinha lido,e que provavelmente nunca leria. Enquanto eu corria mais rápido que o Usain Bolt pra chegar à sala de aula e escolher um bom livro pra apresentar o seminário mensal, ouvi meu professor dizer "sobrou Ensaio Sobre a Cegueira de Saramago e Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa". Antes que eu pudesse recuperar o fôlego para gritar "Ensaio é meu", o professor já tinha entregue o livro para meu mais novo inimigo mortal, e quando eu me bati com a porta o professor alegremente disse: "bom dia Francyne,o destino guardou essa maravilha pra você" e estendeu para mim um calhamaço chamado "Grande Sertão:Veredas", e eu mentalmente comecei a proferir: "puta que pariu,puta que pariu...", enquanto olhava para as cadeiras procurando uma disponível, vi de relance algumas das obras que haviam sido distribuídas a cada aluno, e foi aí que minha raiva aumentou, pois havia Memórias Póstumas de Brás Cubas,Iracema,Dom Casmurro,A Caverna, Budapeste, As Intermitências da Morte, e outros livros escritos em língua portuguesa. Me arrastei desanimada para o fundo da sala enquanto continuava a praguejar, e o que eu nunca iria imaginar naquela noite, era que 'Grande Sertão: Veredas' pudesse ser tão MA-RA-VI-LHO-SO. O livro conta a história de dois personagens, Riobaldo e Diadorim(personagem pelo qual Riobaldo mantém um grande amor impossível),amigo de infância de Riobaldo e filho de um chefe de um bando de jagunços.Riobaldo, mora às margens do Rio São Francisco,e narra sua trajetória de vida com uma inusitada invenção de linguagem,a um interlocutor que nunca se pronuncia, a quem ele chama de Senhor ou Moço. Riobaldo tece a história de sua vida um discurso de descoberta e autoconhecimento: revelando o mundo imenso que o sertão é, assim Riobaldo acaba revelando a si próprio, como se o sertão fizesse parte dele,como se fosse seu próprio coração. Nessa perigosa travessia, Riobaldo confronta as forças do bem e do mal, retoma num fluxo de memória o fio de sua vida e narra as grandes lutas dos bandos de jagunços protagonizada pelos líderes Joca Ramiro (pai de Diadorim), Sô Candelário, Titão Passos, João Goanhá, Ricardão e Hermógenes contra Zé Bebelo e os soldados do governo.Descrevendo os feitos e características de diversos personagens revelando os códigos de honra e de procedimentos do sertão. Em Grande Sertão: Veredas é mais do que evidente a ideia do homem como um reles joguete de seu próprio destino(mais do que comprovado por mim quando meu professor disse "o destino guardou essa maravilha pra você"), e principalmente, da natureza. A trajetória de Riobaldo mostra que, apesar da inteligência, o homem não deve subestimar a força e os sinais da natureza, que só existem para mostrar até onde cada um pode ir. Em inúmeras passagens da obra há sinais que indicam que a natureza, de alguma forma, está tentando alertar sobre os perigos existentes e que não só o sertanejo estava e está sujeito,mas todos nós como seres humanos. A cada dia que passa vou tecendo a teia que o destino me permite,e cada vez mais fico abismada com sua capacidade de interligar tudo e todos,"o destino guardou essa maravilha pra você", o destino guardou o sertão para o sertanejo que apesar de todo o sofrimento consegue sorrir, e me faz acreditar que é possível ser feliz com o pouco que temos, só precisamos de esperança, só precisamos ser nós mesmos, precisamos de coragem para encarar quem nós somos!

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