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    A Literatura e o Mal

    Georges Bataille

    Autêntica
    2015
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788582177938
    Português Brasileiro
    3.9
    42 avaliações
    Leram65Lendo14Querem225Relendo0Abandonos0Resenhas4
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    Ainda que a literatura, como questão e prática, atravesse toda sua obra, é em A literatura e o mal que Georges Bataille se empenha de maneira mais explícita na busca de seu sentido – ou de seu não-sentido –, afirmando desde o princípio que ela “é o essencial ou não é nada”. E se essa essencialidade se acha vinculada ao mal é porque, sem atormentar o bem e a virtude (como acontece em Sade), ou santificar o mal por desejá-lo como bem (como se dá em Genet), a literatura se torna insípida, destituída de interesse. Para Bataille isso já está dado na infância, quando as disposições do indivíduo se mostram soberanas, na recusa de tudo aquilo que, por meio do cálculo e da razão normativa, pretende regular o desejo e o dispêndio. Assim, a literatura deve confessar sua culpa, já que é “a infância reencontrada”. Há dois fins primordiais que a humanidade persegue, a rigor inconciliáveis: o primeiro, ligado à ideia do bem e da moral, é a conservação da vida a todo custo; o segundo, que Bataille associa ao mal e a uma hipermoral, é o aumento de sua intensidade: “a aprovação da vida até na morte”. Perseverando em favor do segundo, a literatura se realiza como atividade inoperante no extremo do possível e do perigo, levando, não raras vezes, personagens e escritores à ruína. Neste livro magistral, Bataille analisa, ou, antes, potencializa as obras de oito autores que de um modo ou de outro são atravessadas pelo mal, para dar a ver em cores vivas a radicalidade de seu próprio pensamento.

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    Micael Floro28/10/2025Resenhou um livro

    Transgressão e experiências

    O livro enfatiza que o mal na literatura não é moralizante, mas transgressivo: é através do confronto com o proibido, com o extremo e com o absurdo que o leitor e o escritor podem acessar dimensões mais profundas da existência. A escrita se torna um espaço de risco, intensidade e liberdade radical, e o mal, nesse sentido, é a ferramenta para explorar o humano em sua totalidade. Historicamente, o ensaio se situa na França do pós-guerra, influenciado pelo existencialismo e pelo surrealismo, movido por uma necessidade de desestabilizar valores e confrontar tabus. Bataille analisa autores clássicos e modernos, como Poe, Baudelaire e Sade, mostrando como a obra literária pode ser um veículo para explorar o mal, não como crueldade gratuita, mas como experiência filosófica e estética que revela desejos, obsessões e limites da psique humana.

    2 curtidas

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    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Georges Albert Maurice Victor Bataille profile picture

    Georges Albert Maurice Victor Bataille

    Georges Bataille nasceu em Billom, França, em 1897. Convertido ao catolicismo, frequentou o seminário em Reims, abandonado, em 1917, pela École Nationale des Chartres. À leitura dos místicos seguiu-se a descoberta de Nietzsche, cujo dionisismo estimulou uma ruptura com a moralidade e a racionalidade burguesas, aproximando seu pensamento da dimensão libertária das experiências limítrofes, como o mal e o erotismo, essenciais em sua ficção (vejam-se as novelas <i>O ânus solar</i>, 1928, <i>Madame Edwarda</i>, 1941, <i>O azul do céu</i>, 1957). Sua obra se enquadra tanto no domínio da Literatura como no campo da Antropologia, Filosofia, Sociologia e História da Arte.

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    Georges Albert Maurice Victor Bataille