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    O sumiço -

    Georges Perec

    Autêntica
    2015
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788582177617
    Português Brasileiro
    4.1
    45 avaliações
    Leram62Lendo12Querem377Relendo1Abandonos17Resenhas8
    Favoritos3Desejados377Avaliaram45

    Este romance do francês Georges Perec é todo escrito sem a letra “e”, a mais frequente da língua francesa. A inovação da obra não está, porém, apenas na falta da vogal, mas principalmente em fazer do desaparecimento da letra o próprio tema do livro e a lei maior à qual se deve toda a história. O autor cria um mundo de letras, povoado por seres de letras, cujo destino depende também das letras, e, principalmente, do sumiço de uma delas. Esta mirabolante história de investigação policial, cheia de mistério, bom-humor, romances e reviravoltas, vai além de um enredo intrigante, voltando-se para o ato da escrita e os jogos de linguagem que apontam para a própria língua, o francês – mutilado, porém.. Para publicar uma versão em português, exigiu-se do tradutor uma constante tarefa de recriação desses jogos numa outra língua, também amputada de uma vogal que muitos julgariam imprescindível. O criativo trabalho realizado por José Roberto Andrade Féres, ou Zéfere – como prefere ser chamado –, nesta obra foi precedido do estudo de diversos artigos, dissertações e teses de estudiosos de Perec, assim como de tradutores da obra em outras línguas. A leitura d’O sumiço levará o leitor a querer jogar com Perec, desvendar suas pistas e encaixar as peças dos seus inúmeros quebra-cabeças. Enfim, um livro que é um verdadeiro (e divertido!) desafio para quem escreve, quem traduz e, claro, para quem lê.

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    Resenhas (8)Ver mais
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    refugiosdasletras14/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    E finalmente li uma obra integralmente ligada à corrente literária OuLiPo. Conforme já esperava, foi um prazer. Em resumo, os autores dessa corrente buscavam utilizar todo o potencial da literatura utilizando contraintes, restrições, das formas mais inventivas possíveis. A escolha de Perec nessa obra foi escrever um romance de aproximadamente 230 páginas sem a vogal "E", a mais utilizada na língua francesa. Reza a lenda que alguns críticos não perceberam. Esse esforço por sim só já seria motivo de aplausos, porém o autor levou isso a mais um patamar: o enredo é exatamente sobre o sumiço das letras, em um mundo em que os personagens personificam o alfabeto. Como se não bastasse, página após página o leitor é surpreendido com jogos de linguagem e outras contraintes disfarçadas, deixando todo parágrafo como suspeito de conter uma metalinguagem desavisada. É óbvio e evidente que o ponto fraco da obra é que, ao se impor restrições, o autor fica impossibilitado de escrever exatamente o que deseja, tendo que se expressar de formas sub ideais, deixando alguns trechos confusos ou menos agradáveis à leitura. É um problema recorrente neste tipo de literatura que já percebi, por exemplo, em House of Leaves e Ulisses, e que deve se repetir ao longo do repertório da OuLiPo. De qualquer forma, a história é cativante e divertida, e as metalinguagens mais ajudam do que atrapalham as confusões que elas causam. É um livro próximo da perfeição, limitado nesse sentido pela contrainte que o faz possível. Um paradoxo digno da bagunça toda. Essa é a minha opinião sobre a obra em si, mas um outro detalhe deve ser discutido: a tradução. Para quem lê em outra versão que não a original, existe ainda mais um grau óbvio de metalinguagem. Não sei se a letra "E" aparece mais ou menos na língua portuguesa, mas certamente é uma das mais utilizadas por nós. Não consigo compreender o desafio que foi para Zéfere (que merecidamente tem seu nome em destaque na capa) traduzir essa obra, e alguns detalhes que ele partilha no posfácio deixam ainda mais fascinante o livro. Em alguns momentos é possível perceber o esforço direto de Perec em contornar a restrição, principalmente com os nomes e frases em outras línguas, mas notadamente a maior parte dos "dribles" visíveis são feitos pelo tradutor. Alguns jogos que poderiam passar batidos não o foram por conta da extensa pesquisa e dedicação reunidos na tradução. Fico em dúvida de quem é o verdadeiro autor aqui. Um livro para quem quer se aventurar no potencial expandido da literatura, se envolver num mistério cativante ou ver para crer como é possível não escrever com a letra E.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 45
    • 5 estrelas36%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas2%
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    Georges Perec

    Nasceu em 1936 e foi um dos grandes inovadores da literatura no século XX. Filho de judeus poloneses que imigraram para a França, perdeu o pai na frente de batalha, durante a Segunda Guerra, e a mãe num campo de concentração. Em 1965, recebeu o prestigioso prêmio Renaudot por <i>As coisas</i>, seu primeiro romance, e, em 1967, passou a integrar o centro de literatura experimental <b>OuLiPo</b> (Ouvroir de Littérature Potencielle), fundado por Raymond Queneau. Sua prosa extremamente lúdica recorre à lógica e à matemática para lançar uma luz surpreendente sobre os detalhes mais repetitivos das sociedades de consumo. Perec morreu em 1982.

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    35 Seguidores

    Georges Perec