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    La disparition -

    Georges Perec

    gallimard
    1990
    319 páginas
    10h 38m
    ISBN-10: 207071523X
    4.1
    45 avaliações
    Leram62Lendo12Querem377Relendo1Abandonos17Resenhas8
    Favoritos0Desejados377Avaliaram45

    Trahir qui disparut, dans La disparition, ravirait au lisant subtil tout plaisir. Motus donc, sur l'inconnu noyau manquant - " un rond pas tout à fait clos finissant par un trait horizontal " -, blanc sillon damnatif où s'abîma un Anton Voyl, mais où surgit aussi la fiction. Disions, sans plus, qu'il a rapport à la vocalisation. L'aiguillon paraîtra à d'aucun trop grammatical. Vain soupçon : contraint par son savant pari à moult combinaisons, allusions, substitutions ou circonclusions, jamais G.P. n'arracha au banal discours joyaux plus brillants ni si purs. Jamais plus fol alibi n'accoucha d'avatars si mirobolants. Oui, il fallait un grand art, un art hors du commun, pour fournir tout un roman sans ça ! B. Pingaud.

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    Resenhas (8)Ver mais
    refugiosdasletras picture
    refugiosdasletras14/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    E finalmente li uma obra integralmente ligada à corrente literária OuLiPo. Conforme já esperava, foi um prazer. Em resumo, os autores dessa corrente buscavam utilizar todo o potencial da literatura utilizando contraintes, restrições, das formas mais inventivas possíveis. A escolha de Perec nessa obra foi escrever um romance de aproximadamente 230 páginas sem a vogal "E", a mais utilizada na língua francesa. Reza a lenda que alguns críticos não perceberam. Esse esforço por sim só já seria motivo de aplausos, porém o autor levou isso a mais um patamar: o enredo é exatamente sobre o sumiço das letras, em um mundo em que os personagens personificam o alfabeto. Como se não bastasse, página após página o leitor é surpreendido com jogos de linguagem e outras contraintes disfarçadas, deixando todo parágrafo como suspeito de conter uma metalinguagem desavisada. É óbvio e evidente que o ponto fraco da obra é que, ao se impor restrições, o autor fica impossibilitado de escrever exatamente o que deseja, tendo que se expressar de formas sub ideais, deixando alguns trechos confusos ou menos agradáveis à leitura. É um problema recorrente neste tipo de literatura que já percebi, por exemplo, em House of Leaves e Ulisses, e que deve se repetir ao longo do repertório da OuLiPo. De qualquer forma, a história é cativante e divertida, e as metalinguagens mais ajudam do que atrapalham as confusões que elas causam. É um livro próximo da perfeição, limitado nesse sentido pela contrainte que o faz possível. Um paradoxo digno da bagunça toda. Essa é a minha opinião sobre a obra em si, mas um outro detalhe deve ser discutido: a tradução. Para quem lê em outra versão que não a original, existe ainda mais um grau óbvio de metalinguagem. Não sei se a letra "E" aparece mais ou menos na língua portuguesa, mas certamente é uma das mais utilizadas por nós. Não consigo compreender o desafio que foi para Zéfere (que merecidamente tem seu nome em destaque na capa) traduzir essa obra, e alguns detalhes que ele partilha no posfácio deixam ainda mais fascinante o livro. Em alguns momentos é possível perceber o esforço direto de Perec em contornar a restrição, principalmente com os nomes e frases em outras línguas, mas notadamente a maior parte dos "dribles" visíveis são feitos pelo tradutor. Alguns jogos que poderiam passar batidos não o foram por conta da extensa pesquisa e dedicação reunidos na tradução. Fico em dúvida de quem é o verdadeiro autor aqui. Um livro para quem quer se aventurar no potencial expandido da literatura, se envolver num mistério cativante ou ver para crer como é possível não escrever com a letra E.

    5 curtidas

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