Certo, estava você lá na livraria e como quem não quer nada acha esse livro com um título promissor: A Emparedada da Rua Nova. Ainda meio reticente se surpreende que o livro não apenas faz parte da bancada nacional como tem mais de cem anos... pois é, você poderia ter desistido, mas a curiosidade foi forte demais!
Primeiro de tudo, A Emparedada surpreende pois apesar de fazer parte do gênero folhetinesco, não é e é um livro sobre hexágonos (?) amorosos.
Bem, toda trama tupiniquim é baseada em crimes passionais, e embora o livro tenha isso como justificativa, não é o estilo. Na verdade, a obra de Carneiro Vilela é mais uma crítica social misturada a e não que aqueles dramalhões do início do século.
Violência, luxúria, ingenuidade, torpeza, tudo isso faz parte, mas lembre-se que essa é uma obra de 1900-e-guaraná-de-rolha, assim algumas coisas que hoje são comum, no livro são apenas insinuadas... e outras não.
Outra coisas interessante é notar que Vilela faz um discurso violento quanto a certas instituições como a Igreja Católica, o Estado (enquanto centro de corrupção), a Polícia e mesmo o Jeitinho Brasileiro (que na época não era chamado assim), mas não apresenta realmente personagens vilanescos.