[4/5]
Aviso inicial: não há spoilers de The Obelisk Gate nesta resenha. Entretanto, há menção de algo que pode ser considerado um spoiler de The Fifth Season, que é o volume anterior da trilogia.
Eu estava bem apreensiva antes de começar esse livro, porque gostei demais de The Fifth Season, mas achei que ele era um livro tão completo por si só que era difícil acreditar que um segundo volume poderia ser desenvolvido de forma satisfatória. Felizmente, a minha apreensão se mostrou infundada, porque The Obelisk Gate é uma continuação incrível para uma obra incrível.
Terminar esse livro me fez perceber que uma das coisas que torna essa trilogia tão especial é o fato de que os livros não são só maravilhosos como parte de um conjunto, mas, também, como obras individualmente consideradas. Tanto o primeiro quanto o segundo (e, pelo pouco que já li de The Stone Sky, o terceiro também) tem um foco e uma mensagem específica, e essas mensagens se encaixam incrivelmente no enredo construído pela autora.
O que mais me impressionou neste livro é o jeito que a N. K. Jemisin escreve pessoas. The Fifth Season é muito focado na Essun, então é óbvio que ela é uma personagem muito bem desenvolvida, mas The Obelisk Gate apresenta outros personagens de uma maneira muito profunda, também, apesar de não ser um livro tão introspectivo (no sentido de ser focado em uma única personagem) quanto o primeiro.
Como qualquer ser humano real, os personagens desse livro são extremamente contraditórios e coerentes ao mesmo tempo. Os sentimentos deles nem sempre são certos ou justos, mas são completamente compreensíveis. Fiquei especialmente impressionada com o desenvolvimento da Nassun. Não sei se faz sentido dizer isso, mas nunca fiquei tão encantada com o jeito que uma criança é escrita em um livro. Acho que é bem normal que crianças e jovens tenham características muito adultas em livros de fantasia, o que acaba fazendo com que elas não pareçam ter a idade que tem. Nassun tem algumas dessas características, porque ela foi forçada a ser assim pelas circunstâncias em que vive (circunstâncias essas que também foram muito bem desenvolvidas no livro), mas em nenhum momento parece que ela não é uma criança. E isso só deixa toda a história dela mais triste e real.
Também é importante destacar que a maneira como relações familiares (que estão ainda mais presentes em The Obelisk Gate do que em The Fifth Season) são escritas é maravilhosa. Perspectivas diferentes e conflitantes são desenvolvidas de uma maneira tão incrível que eu, como leitora, só consegui pensar sobre como vai ser triste quando tudo isso colidir.
O único ponto negativo que pode ser apontado no livro é o ritmo. Ele é um pouco lento, principalmente se comparado ao primeiro. Isso é algo normal para o segundo volume de uma trilogia, que geralmente é focado em algum tipo de transição; e acho que é possível dizer que The Obelisk Gate é uma obra de transição em vários sentidos diferentes. Isso, aliado ao fato de que o ritmo mais lento é compensado por outros aspectos (como o desenvolvimento impecável dos personagens, a escrita incrível e o clímax satisfatório), faz com que o livro continue sendo ótimo. Em suma, apesar de eu achar que The Obelisk Gate vai ser o livro que menos gosto da trilogia, ainda é um livro que gostei bastante.