O Banquete -

    Mario de Andrade

    Livraria Duas Cidades
    1989
    171 páginas
    5h 42m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

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    Wagner Paulin12/03/2022Resenhou um livro
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    BACH? o grito do desesperado.

    (?) o nosso prezado João Sebastião Bach, era muito menos religioso do que afirmam. O que ele foi, embora honestamente como prática sexual, o que ele foi, mas foi um vivedor, isso sim. Compare a religiosidade da música dele quase toda, mesmo as paixões, a missa, e sobretudo as peças de órgão, com a religião cem vezes mais profunda dum Palestrina. Mas não se esqueça que na vida, enquanto Palestrina cultivava rosas, Bach fazia filhos, vinte e um filhos e duas mulheres. É possível dizer que dentro da prática terrestre das religiões cristãs, Bach não foi um libidinoso. Mas ele demonstra frequentissimamente aquela psicologia do "animal triste", dos excessos sexuais. Tipicamente nas peças de órgão, de caráter improvisatório, em que ele se libertava do sentido litúrgico dos textos tradicionais, vibra a tristeza. Uma tristeza frenética, porque ele era um sanguíneo, fisicamente um forte. E não raro, nos seus prelúdios e tocatas de órgão, sé não existe nenhuma sensualidade, existe o grito do desesperado (?) In: Andrade, Mário de, O banquete. São Paulo, Duas Cidades, 1977.

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