Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que “sua única família agora é a Ordem”. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus Irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem – o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora na literatura com uma aventura repleta de ação.
A Canção do Sangue (A Sombra do Corvo #1) -
Anthony Ryan
A fé te consome e te liberta, te molda nesta vida e no além.
O mundo criado e os desenvolvimentos apresentados ao longo da trilogia "A Sombra do Corvo", as muitas guerras, sejam físicas e ideológicas, conflitos políticos e religiosos, o põe na minha lista principal de livros do gênero de fantasia épica. A Saga é muito boa, e isso muito se deve ao protagonista Vaelin Al Sorna. O personagem foi muito bem trabalhado e desenvolvido pelo autor neste primeiro livro da trilogia, "A Canção do Sangue". Anthony Ryan o criou transmitindo todas aquelas caracteristicas boas, importantes e necessárias para se criar uma grande simpatia por ele. Vaelin é apresentado com seis anos de idade inicialmente, e a partir daí a história nos guia para presenciar a sua formação como um guerreiro e irmão da Sexta Ordem, ano após ano, idade por idade, até chegar em sua fase adulta. O ponta pé inicial é dado quando o protagonista é levado pelo seu pai e deixado nos portões da Sexta Ordem, e para alguém que entra nesta Ordem é uma obrigação cortar todos os seus laços familiares anteriores e direcionar o seu coração e alma apenas para a sua nova família e crença, a Sexta Ordem e a Fé. E é durante os anos neste local que ele criará laços muito fortes com os seus irmão da ordem, de vida e de batalhas. Durante o seu treinamento, Vaelin passará por provas de variados tipos, testes que todo irmão formado pela Ordem teve que realizar, passará por desafios que o farão se tornar um guerreiro temido e respeitado futuramente entre muitos povos. Os únicos objetivos de Vaelin Al Sorna serão o de descobrir sobre o seu passado, sobre si mesmo, proteger o reino e o lugar onde vivem aqueles que ele ama contra inimigos que não conhecem outra coisa senão a guerra e o derramamento de sangue. O sangue que corre nas veias de Vaelin será o mesmo que manchará a sua espada, e será o mesmo que o guiará para um caminho de conquistas, dor e redenção. Em "A Canção do Sangue", a boa construção e o ótimo desenvolvimento do protagonista, que ocorre do início ao fim da narrativa, é o motivo pela qual se cria essa grande simpatia por ele. É também a amostra de como o mundo do personagem é moldado. A crença, quer seja em um ser divino ou algo de adoração e respeito, guia o caminho de diversos personagens e povos durante a trilogia, é um dos precursores das disputas e conflitos existentes; os confrontos religiosos fictícios presentes aqui se assemelham com os da nossa realidade, no mundo de Vaelin crenças diferentes geram conflitos, que geram autoritarismo de uns sobre outros, que geram guerras, mortes e perdas que abalam uma nação/povo a curto e longo prazo ou até de formas irreversíveis. Sobre a característica da narrativa adotada pelo autor, há diferença nos dois livros seguintes em relação a este primeiro. Enquanto que em "A Canção do Sangue" é focado apenas em um personagem, o Vaelin, nos próximos dois livros, "O Senhor da Torre" e "A Rainha do Fogo", esse protagonismo é dividido entre outros três personagens, dando novas perspectivas/POV's para a história. Como nada é perfeito, a mudança feita pelo autor tem os seus prós e contras, mas no geral, o agrado disso é uma questão pessoal de quem ler ou leu. Eu gostei bastante do segundo por alguns motivos óbvios em relação à essas novas perspectivas, sendo elas: a possibilidade de entender melhor a mente e personalidades desses personagens; a ascensão impressionante de um deles, que evoluiu de forma incrível, se tornando uma personagem favoritada por mim além do prota; conter uma das melhores cenas de guerra dentre os três livros. Em contra, destaco a perca do foco em Vaelin, que como consequência ficou um pouco menos participativo, mas não tanto como o que ocorreu no terceiro e ultimo livro, "A Rainha do Fogo". Na conclusão desta saga, um dos pontos negativos, e que foi visível durante toda a narrativa, foi a pouca participação do prota na parte mais "tensa" da história, mas o ponto de maior crítica pra mim, e que me frustou ainda mais, foi a forma que o autor finalizou ela. O grande momento que foi criado desde o primeiro livro, que foi alimentado durante o segundo livro até o terceiro, já imaginando algo marcante, algo que deixaria a cena de guerra do segundo livro para trás, não aconteceu e quebrou toda aquela expectativa que eu criei para o fim dela. No mais, para mim foi um saga muito boa pelo que me fez sentir nos dois primeiros livros, o último poderia ter fechado a história de tal forma que deveria ter se tornado a minha saga favorita, porém decepcionou, não totalmente, mas em parte. Apesar disso, digo que valeu muito a pena ter lido essa trilogia.
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