Memórias de um Rato de Hotel -

    Dr. Antonio, João do Rio

    Dantes
    2015
    182 páginas
    6h 4m
    ISBN-13: 9788586488474
    Português Brasileiro

    Dr. Antônio foi um célebre ladrão da Belle Époque que ficou famoso por seus roubos inteligentes em hotéis, onde se hospedava com identidades diferentes. O verdadeiro nome do Dr. Antônio era Arthur Antunes Maciel, gaúcho de família respeitável levado ao crime por não resistir à vida fácil e ao amor das mulheres. Em 1911, quando estava preso na Casa de Detenção, Antunes Maciel foi convidado como Dr. Antônio pelo diretor da Gazeta de Notícias para publicar suas histórias no jornal. Seu relato foi escrito e/ou ditado no cárcere, aos 43 anos, seu último ano de vida. Além da publicação diária entre 24 de dezembro de 1911 e 3 de fevereiro de 1912, “Memórias de um Rato de Hotel” foi publicado em livro pela editora da Gazeta de Notícias em 1912 , edição posteriormente utilizada pela Dantes para as suas próprias edições. Apenas três exemplares remanescentes são conhecidos ainda hoje. O exemplar usado para as edições da Dantes traz em sua folha de rosto uma observação manuscrita por seu proprietário original, o crítico literário Francisco Prisco: “o autor deste livro é João do Rio”. Esse exemplar foi encontrado em uma pilha de livros da livraria São José pelo bibliófilo Plínio Doyle. No mundo dos “ratos de livros”, não se trata de uma coincidência, mas sim de um tipo de “mensagem na garrafa”, lançada no mar das letras para um leitor além-tempo. Embora João do Rio/ Paulo Barreto não assine o relato é quase certo que tenha participado de alguma forma do processo de escritura das memórias de Dr. Antônio junto a Antunes Maciel na casa de Detenção , narrativa com sutilezas e observações próprias do “gatuno inteligentíssimo, bom contador de histórias e, provavelmente dono de uma lábia especial capaz de enrolar suas vítimas e a polícia.

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    Felipe Manhães17/12/2008Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Impressões além da capa

    O livro conta parte da vida de Artur Maciel, homem de classe média-alta, bem educado, inteligente, mas que não queria seguir a profissão que seu pai desejava. Vivendo de luxúria e cercado de todo o tipo de gente, acabou entrando pro mundo do "crime", envonvendo-se em furtos, em sua grande maioria, hóspedes descuidados nos mais variados hotéis do Rio de Janeiro, São paulo, Belo Horizonte, Salvador... Traz passagens de alguns de seus grandes momentos, seja na gatunagem, seja com amores efêmeros ou mesmo nas várias incursões à cadeia. De modo irreverente, Artur Maciel, transformado em Dr. Antônio nas horas de crime, conta como praticava seus furtos, utilizando várias identidades, nomes e profissões variadas, mantendo-se sempre afastado das suspeitas. Por sempre aparentar muita classe e devido aos truques que, em geral, lhe afastavam da lista de possíveis culpados, se esquivava sabiamente das investidas policiais, correndo de um hotel pro outro, "fazendo" (=roubando) seus hóspedes. Narrado pelo próprio Artur, o texto apresenta características das cidades por onde passou: do comércio aos tipos de transporte usados, das casas noturnas existentes aos hábitos da época; trazendo à tona a inocência de um tempo já perdido. Sua narrativa se utiliza de termos e estruturas hoje em desuso, ao mesmo tempo que esclarece origens de algumas expressões e gírias comuns atualmente. Comprei por acaso qdo, numa livraria em Botafogo, a capa e o título deste livro me chamaram atenção (parece um pouco com a resenha oficial do livro, mas é coincidência, pois foi exatamente assim). O balconista recomendou, eu acreditei.

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