Quase dois anos lendo esse livro que não se termina de ler, não concluímos a leitura de O Segundo Sexo porque ela não se finda com o virar da última página. Coloco-o de volta à estante sabendo que esta leitura foi apenas uma conversa das muitas que são sempre necessárias de se ter com Simone de Beauvoir. Com isso não quero afastar você que comprou o box novo lindamente editado pela @novafronteira para embelezar seu acervo esperando um dia ter coragem de encarar as quase mil páginas desse monumento em forma de escrita (juro que não to esticando a baladeira, o livro é tudo isso sim). Mas sim avisar que o mergulho é profundo, então toma fôlego, mas vai.
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Porém, O Segundo Sexo não é perfeito, nem pretende sê-lo. No mundo das feministas "fada sensata" "zero defeitos" "perfeita", Simone não vai preencher esse espaço e isso não faz de sua obra menos revolucionária ou importante. O Segundo Sexo deseja trazer, em poucas palavras, uma revisão do que tem se entendido no âmbito biológico, social, psicológico do que é ser mulher, e defender que em nenhum desses aspectos justifica sermos submissas; nem explica porque nós mulheres somos consideradas o Outro do homem, não explica porquê o macho é o corpo universal (um). .
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Além disso, também traça um olhar sobre os mitos na literatura e em outras áreas que constroem as muitas imagens sempre degradantes ou oprimidas da mulher, dá um belo tapa na cara de vários filósofos e artistas super poderosos expondo a misoginia deles disfarçada de genialidade.
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E ainda constrói um retrato da socialização feminina, que é basicamente como meninas são criadas diferente de meninos edificando esse mundo desigual e opressor entre os gêneros. É aí que algumas coisas escapam do retrato social que Simone expõe. O livro se detém a analisar em geral a vida de meninas e mulheres num contexto europeu de classe média. E dai quando a gente compara com as várias outras realidades da mulher ao redor do mundo, algumas coisas parecem "faltar". .
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No entanto, não acho que isso deva ser cobrado exatamente de Simone em 1949, apesar de que já existia há muito tempo a luta das mulheres negras nos EUA, como bem diz Angela Davis.
Mas sim que temos que igualmente ler feministas negras e que falam de realidades diferentes da europeia que ainda é considerada como a ideia da mulher universal. Obviamente a opressão sexual que vivemos em certa medida é igual para todas: somos oprimidas pelo nosso sexo. Mas as nuances da vulnerabilidade de mulheres de contextos socio-culturais diferentes pode variar. Por exemplo, quando Simone fala da desenvolvimento da sexualidade da menina, ela diz que a menina é privada disso desenvolvendo mais tarde que os meninos, fiquei refletindo que num contexto brasileiro isso já é bem ddiferente, pois justamente pelo contrário, meninas aqui são expostas sexualmente cada vez mais cedo