Queimar livros foi um recurso usado em tempos sombrios, como o da Santa Inquisição e o do nazismo, para eliminar ideias resistentes à crença sanitária no pensamento único. No mundo futuro concebido por Ray Bradbury (1920-2012) em Fahrenheit 451, ler tornou-se um ato subversivo e os que insistem em ter pequenas bibliotecas às escondidas podem virar cinzas junto com seus volumes. O devaneio, a poesia, a filosofia e a ficção foram extintos porque não se admite perder tempo com algo que, em vez de puro entretenimento, ofereça inquietação e angústia. Como toda ficção científica, essa distopia publicada em 1953 emite os sinais negativos da época em que foi escrita. Mas, se a redução das ideias ao binarismo, o desprezo ao intelectual, o fluxo de informações num nível inassimilável e a suspeita de qualquer sinal de melancolia já eram considerados fatores de risco em meados do século passado, nossa civilização anestésica fez do futurismo de Bradbury um gênero bem mais próximo do realismo. Cássio Starling Carlos Crítico da Folha
Fahrenheit 451 (Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura #23) -
Ray Bradbury
Folha de S. Paulo
2016
168 páginas
5h 36m
ISBN-13: 9788579492921
Português Brasileiro
Resenhas (9515)Ver mais
Estatísticas
Avaliações
4.1 / 61190- 5 estrelas31%
- 4 estrelas40%
- 3 estrelas23%
- 2 estrelas5%
- 1 estrelas1%









